27.04 a 29.06.2022 - ONDE VIVEM AS VACAS: OLHAR E SENTIR CORPOS BOVINOS COLONIZADOS

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Onde vivem as vacas

 

ONDE VIVEM AS VACAS: OLHAR E SENTIR CORPOS BOVINOS COLONIZADOS

1º Ciclo temático do Cine Animal-Estar

O Grupo de Pesquisa sobre Ética e Direitos dos Animais do Diversitas-USP convida todes para os debates do 1º Ciclo temático do Cine Animal-Estar: Onde vivem as vacas: olhar e sentir corpos bovinos colonizados, a ser realizado ao vivo e online nos dias 27 de abril25 de maio e 29 de junho, sempre das 18h00 às 20h00. Posteriormente as gravações dos debates serão livremente disponibilizadas no YouTube. Cada encontro terá a presença de convidades. Serão emitidos certificados para quem participar dos três encontros do ciclo. Venham discutir como sentem e vivem as Vacas!

PROGRAMAÇÃO

27 de abril – participação da professora e ativista Suane Felippe Soares e discussão do documentário Sob a pata do Boi (2018; 49 min.), de Marcio Isensee e Sá; do curta Next Floor (2008; 11 min.), dirigido por Denis Villeneuve; do artigo de Flávio Leonel Silveira e Petronio Lima Filho: Os Bois de Carne e Osso, as Vacas Sintéticas e o Pixo Urbano: quando a estética de rua afronta a ética da obra de arte na cidade de Belém (PA);

25 de maio – participação da professora Maria Alice da Silva e discussão do documentário Cow (2021; 94 min.), dirigido por Andrea Arnold, e do artigo de Daniela Rosendo e Ilze Zirbel: Dominação e sofrimento: um olhar ecofeminista animalista a partir da vulnerabilidade;

29 de junho – discussão do filme First Cow — a primeira vaca da América (2019; 140 min.), dirigido por Kelly Reichardt; do artigo de Luciano Cunha: Discriminações Interespecíficas e intraespecíficas: por que a comparação precisa ser feita; o ensaio de Jaider Esbell: De malditas a desejadas: vacas nas terras de Makunaima, cujas telas podem ser vistas na exposição virtual no MAM Moquém Surarî.

LINK PARA INSCRIÇÕES

bit.ly/cineanimalestar1

 

LINK PARA VÍDEOS E BIBLIOGRAFIA

Desde já disponibilizamos todos os vídeos e materiais no link para que todes assistam e leiam antes dos debates:

https://drive.google.com/drive/folders/1G0P-Be-r6y2ct88Em9HD0ecCAwp2OhFN?usp=sharing

DESCRIÇÃO

 Dentre as diversas espécies trazidas às Américas pelos colonizadores, os bovinos constituem-se como um dos símbolos do processo colonialista que jamais cessa de invadir e explorar corpos-territórios. O consumo de carne e derivados animais advém de uma indústria que desmata, eviscera, polui rios e terras, apaga paisagens e explora violentamente humanos e não humanos. Além disso, constitui-se por um poderoso complexo agroindustrial cada vez mais entranhado nos espaços políticos e decisórios que se impõe acintosamente nas decisões de questões ambientais, sociais, econômicas e alimentares. Lobistas e empresários do agronegócio barganham cargos, influenciam em decisões políticas e ampliam o enorme e complexo sistema capitalista que transforma fauna, flora e culturas em cinzas e sangue, conforme vemos nas invasões a terras indígenas, quilombolas, ribeirinhas, dos povos da floresta e nos desmatamentos e incêndios criminosos na Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e outros biomas.

O agronegócio se tornou uma indústria lucrativa e que se expande continuamente como um dos símbolos mais significativos da herança colonial nas Américas. Daí resulta a força com que domina o imaginário popular por meio de um discurso que estimula práticas de produção e alimentares que escondem os efeitos sórdidos da produção bovina: invasão de terras, assassinatos, más condições de trabalho humano nos frigoríficos e criadouros, violência e maus-tratos aos não humanos, poluição de terras e rios, desmatamentos e incêndios. A partir da crítica animalista e descolonizadora, selecionamos filmes, documentários e textos que nos auxiliem numa crítica e intensa e ampliada acerca do modo como vacas e bovinos se veem subtraídos de si e violentamente explorados por um sistema que os apaga como sujeitos, viventes e agentes de afetos e do sensível.

No primeiro debate, (27 de abril), discutiremos o documentário Sob a pata do boi, no qual observamos a criação bovina no Brasil, os discursos e práticas que justificam a expansão da pecuária e como o espaço é dominado essencialmente por homens e uma prática capitalista de exploração e controle do imaginário e da dieta alimentar de brasileiros; no curta First Floor, voltamos o olhar a um tipo de consumo em sua forma mais crua em que tudo o que não é humano é consumido de maneira hedonista e violenta; a crítica é ampliada pelo artigo de Flávio Leonel Silveira e Petronio Lima Filho: Os Bois de Carne e Osso, as Vacas Sintéticas e o Pixo Urbano: quando a estética de rua afronta a ética da obra de arte na cidade de Belém (PA).

No segundo encontro (25 de maio), discutiremos o documentário Cow (2021), dirigido por Andrea Arnold, no qual acompanhamos a vida, a rotina e o corpo de Luma, uma vaca leiteira pertencente a um criadouro do Reino Unido, e a forma como seus afetos e sensibilidades são apagados em prol da indústria de exploração de leite. O artigo de Daniela Rosendo e Ilze Zirbel, Dominação e sofrimento: um olhar ecofeminista animalista a partir da vulnerabilidade, leva-nos a refletir como a vida de humanos e não humanos se entrelaça no processo acintoso de exploração capitalista/colonialista de corpos considerados descartáveis.

No terceiro encontro (29 de junho), fechamos o Ciclo com o filme First Cow — a primeira vaca da América (2019), dirigido por Kelly Reichardt, que nos leva ao rememorar as discussões do primeiro e segundo encontros e a refletir acerca de outros lastros da herança colonial nas relações entre humanos, não humanos e natureza. Temas profundamente exploradas no artigo de Luciano Cunha: Discriminações Interespecíficas e intraespecíficas: por que a comparação precisa ser feita; e que nos remete à crítica colonialista do ensaio de Jaider Esbell: De malditas a desejadas: vacas nas terras de Makunaima, proposta em que artistas indígenas ilustraram a experiência da imposição colonialista das vacas em terras indígenas e o encontro entre ambos — as telas circularam na exposição do MAM: Moquém Surarî.

ORGANIZAÇÃO

Diversitas-USP
 

COORDENAÇÃO E MEDIAÇÃO

Tainara Murari de Carvalho

Vivian Catarina Dias