Historia dos kaingang da bacia do tibagi: uma sociedade Jê meridional em movimento

Autor
Kimiye Tommasino
Ano
1999
Resumo / Abstract

Este trabalho reconstitui a historia dos kaingang da bacia do rio tibagi da metade do século passado, ate os dias atuais. Esta historia permite detectar as estratégias, formas e conteúdos das relações estabelecidas entre as sociedades indígenas e os colonizadores, numa continua afirmação de seu modo de ser. O resgate da historicidade/etnicidade kaingang permite uma outra compreensão da sociedade paranaense e a real natureza do processo de colonização ocorrida neste século, colonização essa feita invariavelmente sobre territórios indígenas. A matéria prima para a reconstituição foram os documentos de missionários, diretores e viajantes, documentos do SPI, FUNAI e outras instituições, da bibliografia cientifica sobre essa sociedade Jê meridional, depoimentos dos kaingang mais velhos e de nossa pesquisa de campo.

 


 

Área do Conhecimento
Antropologia Social

A festa Santa na Terra da parentalha: festeiros, herdeiros e parentes. Um estudo sobre as representações e práticas camponesas em terra de sesmaria na Baixada Cuiabana Matogrossense.

Autor
Sueli Pereira Castro
Ano
1998
Resumo / Abstract

Este estudo tem como questão central a ocupação e reprodução de uma parcela do campesinato na Baixada Cuiabana Mato-grossense, em Terra de Sesmaria, esta definida como Terra da Parentalha, pelos seus sujeitos; categoria social que expressa asubstância e qualidade pelos quais se formam o atributo do ser. A Sesmaria Baús, situada no distrito do mesmo nome, no município de Acorizal, é base para o levantamento do trabalho etnográfico desenvolvido. Esta terra, requerida em 1818 pelo ancestral fundador chamado Constantino, é um bem indiviso, que pertence à família, constitutiva de uma ordem moral, no sentido de que representa um patrimônio que expressa, mais do que um bem físico, as relações de parentesco. Essa forma de organização social fez-se presente recentemente, quando a sesmaria foi transformada em terras devolutas, e os herdeiros da sesmaria expropriados de suas terras comuns, através do que se denomina violência escondida e legal. O estudo permite acompanhar as formas de associação entre o código costumeiro e o código oficial, que veio possibilitando a preservação do patrimônio territorial. A1ém disso, permite também entender a interface entre a lei e a ideologia dominante com os usos do direito comum e a consciência costumeira. Desvendar este universo através das categorias, pelas das quais os sujeitos deste universo pesquisado se pensam, instituindo seus códigos de valores e suas idéias, sua cosmologia e seus sistemas classificatórios, referenciadores dos seus sistemas de ações, constituem-se no fio condutor deste estudo

 


 

Área do Conhecimento
Antropologia Social

Tempo de Travessia, tempo de recriação: profecia e trajetória camponesa.

Autor
Bernadete Caprióglio de Castro Oliveira
Ano
1998
Resumo / Abstract

As pesquisas sobre as sociedades agrárias têm caracterizado os grupos camponeses dentro das relações capitalistas no campo brasileiro, ressaltando entretanto, os valores de um modo de vida diverso, que responde de forma diferenciada às mudanças impostas pela economia de mercado. Essas formas se manifestam em várias esferas da vida desses grupos camponeses, reconstruindo relações dentro de novos códigos, linguagem e representações. A própria constituição da família e do trabalho familiar remetem à interpretações que propõem uma outra dimensão do tempo e espaço. Pensar a persistência não no sentido de manutenção, mas de recriação, o que pressupõe sempre a incorporação de algo novo, parece estimulante para a investigação antropológica, que no caso estudado, se trata especificamente da recriação do sítio camponês. Condição essa, gestada no interior de um processo de expropriação em massa de arrendatários do noroeste paulista, onde não só se encontrava a atuação política do Partido Comunista Brasileiro, mas também, o movimento sócio-religioso do "Aparecidão", cuja "visão profética" antevia a possibilidade da "recriação de uma geração melhor", neste "Reino de Deus, que é essa terra mesmo".

 


 

Área do Conhecimento
Antropologia Social

As tramas da herança da reprodução camponesa: as atualizações dos sentidos da transmissão da terra

Autor
Renata Medeiros Paoliello
Ano
1999
Resumo / Abstract

A partir de preocupações empiricamente expressas pelos agentes sociais, quanto à herança da terra, em contextos possessórios, localizados no Vale do Ribeira -SP, manifestando a expectativa de assegurar minimamente a continuidade da condição de"dono" aos filhos, traduzida em cálculos relativos à partilha igualitária de patrimônios, precariamente apropriados, propõe-se uma compreensão desses contextos pelo viés de uma antropologia histórica. Esse enfoque procura fundamentar-se em uma construção etnográfica comparativa, sobre diferenciados contextos intra-regionais, para compreender o sentido da herança igualitária como um dos componentes de uma lógica prática, fundada na reconstrução de uma tradição jurídica incorporada ao habitus dos agentes, que mais do que propriamente reprodutiva, de fato atualiza, para um maior número de pessoas, as possibilidades de permanência na "condição camponesa", ou uma passagem para a vida urbana em condições melhores do que as que teriam se destituídos da herança.

 


 

Área do Conhecimento
Antropologia Social

Comunidade cafuza de José Boiteux/SC: História e Antropologia

Autor
Pedro Martins
Ano
2001
Resumo / Abstract

Este trabalho resgata a trajetória da Comunidade Cafuza de José Boiteux/SC desde a sua participação, na condição de rebeldes, na Guerra do Contestado (1912-1916) até a conquista da terra própria, em 1992, e o seu momento atual. A Comunidade Cafuza é um grupo étnico formado pela miscigenação entre negros e índios e partilha de maneira mais ampla a cultura cabocla, própria dos segmentos marginalizados da população camponesa "nativa" de Santa Catarina. Abordado a partir das teorias sobre campesinato e etnicidade o estudo revela três momentos distintos onde o grupo se apropria de um pedaço de terra e constrói nele o seu modo de vida. O primeiro momento é marcado pelo desbravamento do sertão do Faxinal - entre a Serra Geral e o Vale do Itajaí - e o posterior conflito com uma empresa colonizadora; o segundo momento mostra o grupo convivendo nas terras dos índios Xokleng, enquanto é explorado em sua força de trabalho pelas autoridades federais, e as conseqüências da construção de uma barragem sobre as terras indígenas; o terceiro momento mostra o processo de organização política e a luta para conseguir estabelecer-se em terra própria a partir da ocupação, resistência e negociação com o Governo Federal. O estudo ainda mostra o cotidiano do grupo Cafuzo em Alto Rio Laeiscz; a "luta" diária para domar um meio ambiente estranho e recriar a sua parcela de saber local; analisa o processo de criação de uma cooperativa de produção que conflita com os costumes camponeses, onde predomina a autoridade hierárquica do pai e a organização familiar da produção.

 


 

Área do Conhecimento
Antropologia Social

Diversidade, relações raciais e educação em direitos humanos

Autor
Maria Letícia Puglisi Munhoz
Ano
2009
Resumo / Abstract

Considerando os princípios da igualdade, solidariedade e direito à diferença. que regem a Constituição Federal e os documentos internacionais de Direitos Humanos, o presente trabalho, com base em produção teórica da área da psicologia social, antropologia, direito e educação e experiência empírica, investiga os componentes presentes nas relações sociais entre os jovens brancos e negros, que se caracterizam como componentes fornecidos pela cultura brasileira que contribuem para a perpetuação das condutas preconceituosas e da discriminação étnico-racial contra os negros e, conseqüentemente, a desigualdade racial no Brasil. Para a investigação empírica. foram realizadas entrevistas, por meio de um questionário semi-estruturado, com os jovens brancos e negros cotistas que são alunos de algumas universidades brasileiras que implementaram a política de ação afirmativa por meio de cotas raciais. Tudo isso com a finalidade de produzir elementos que venham contribuir para o desenvolvimento de programas educacionais que tenham como objetivo efetivamente promover a eliminação da discriminação racial e o convívio mais igualitário nas relações sociais em um contexto de diversidade, como é o caso da Educação em Direitos Humanos.

 


 

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Direitos Humanos

Percepções sobre o acesso à justiça: olhares dos usuários da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Autor
Juliana Ribeiro Brandão
Ano
2010
Resumo / Abstract

Tratando de representações sociais relacionadas à experiência de acesso à justiça junto a assistidos pela Defensoria na área cível, o estudo se volta à reflexão dos significados produzidos nesse acesso. A coleta de dados de base qualitativa foi orientada pela teoria das representações sociais e pela técnica da análise de conteúdo. Conjugando a pesquisa empírica com pressupostos teóricos radicados, sobretudo nos direitos humanos e na teoria do reconhecimento, propõe-se a investigar em que medida a Defensoria é percebida como uma instituição que proporciona o acesso à justiça.

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Direitos Humanos

Clio e Psiqué: contribuições da metapsicologia de orientação lacaniana à historiografia da cultura

Autor
Clóvis Pereira dos Santos
Ano
2009
Resumo / Abstract

O obscurantismo da letra lacaniana, as crises institucionais e o hermetismo da metapsicologia podem ser superados em favor das contribuições teóricas que o lacanismo poderia fornecer à historiografia da cultura. Este trabalho defende que esta assertiva já estava inscrita às proposições multidisciplinares tanto da escola dos Annales quanto dos textos ditos sociais de Freud. Assim, em uma estratégia progressiva que contemplaria tanto leitores novos às temáticas metapsicológicas quanto, espera-se, outros já mais experientes, os dois primeiros capítulos são introdutórios ao jargão lacaniano, o terceiro e quarto, reflexões sobre o estado da arte, conquanto os dois últimos constituem casos da metapsicologia aplicada à crítica ao discurso do capitalista, uma das principais contribuições da psicanálise de orientação lacaniana aos saberes ditos sociais.

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História Social

Da invisibilidade à construção da própria cidadania. Os obstáculos, as estratégias e as conquistas do movimento social das pessoas com deficiência no Brasil, através das histórias de vida de seus líderes

Autor
Ana Maria Morales Crespo
Ano
2010
Resumo / Abstract

No período entre 1975-85, setores da sociedade, como trabalhadores, mulheres, negros e homossexuais se mobilizaram por direitos e contra a discriminação. (GOHN, 2003, p. 113-125). Na mesma época, as pessoas com deficiência, até então invisíveis, também se organizaram num movimento nacional para reivindicar não apenas direitos, mas, também, reconhecimento de existência. Sob a perspectiva teórica da História Oral, o objetivo deste projeto é desvelar as estratégias, os anseios, as dificuldades, as conquistas, e as perspectivas de futuro desse movimento. A História Oral se preocupa e tem compromisso social marcado pela voz dos excluídos e tem como fundamento reconhecer a cidadania de grupos oprimidos" e " instrumentar as lutas por direitos humanos na democracia". (MEIHY, 2005, p. 238) Assim, o emprego dos preceitos da História Oral, neste projeto, visa dar voz a quem nunca antes falou por si mesmo e reconhecer as pessoas com deficiência como sujeitos de sua própria história e não como objetos de estudo. A comunidade de destino estudada é a condição da deficiência e o que ela significa numa sociedade que desconhece os direitos das pessoas deficientes. A colônia entrevistada, formada por líderes do movimento, divide-se em duas redes: participantes de organizações de pessoas deficientes e participantes de organizações prestadoras de serviço para essas pessoas. Ambos os grupos podem ter pessoas com ou sem deficiência. A história oral de vida reúne experiências subjetivas a contextos sociais e, desse modo, presta-se de modo singular à análise e à interpretação, pois, possibilita compreender a parte histórica dos fenômenos individuais e a porção individual dos fenômenos históricos. A análise será feita a partir do conjunto das entrevistas. É do diálogo entre elas que os significados emergirão. A importância acadêmica deste trabalho é contribuir para o empoderamento das pessoas deficientes e cooperar para que as próximas gerações de cidadãos brasileiros, com ou sem deficiência, estejam mais bem equipadas para perseverar na construção de uma sociedade inclusiva.

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História Social

Memórias dos cárceres da ditadura: testemunhos dos presos políticos no Brasil

Autor
Janaína de Almeida Teles
Resumo / Abstract

O processo de reconstituição factual e de reflexão crítica acerca da ditadura civil-militar de 1964 e de seu legado permanece incompleto e permeado por zonas de silêncio e interdições. Decorridos pouco mais de trinta anos da Lei de Anistia, muitos acontecimentos permanecem descnhecidos ao tempo em que se observa a existência de importantes lacunas na articulação entre o legado da ditadura e a memória daqueles que a ela se opuseram ativamente. Visando contribuir para o entendimento desse passado, e de seu legado, esta pesquisa procurou caracterizar o protagonismo dos presos políticos na defesa de tranformações sociais e na luta contra a ditadura e, ao mesmo tempo, oferecer um panorama reflexivo sobre a construção de suas memórias a respeito dessas lutas e da experiência-limite da tortura e da prisão. Para alcançar esse objetivos, a pesquisa pautou-se por um amplo registro ds memórias desses protagonistas por meio da metodologia da História Oral de Vida  um conjunto de 90 entrevistas com ex-presos políticos. O que permitiu a coleta de informações até aqui inéditas no que diz respeito à organização dos presos e à atuação dos órgãos repressivos. A execução e desenvolvimento dessa metodologia deram origem a reflexões teóricas que visaram interpretar o material coletado, contextualizando-o crítica e historicamente. Partiu-se, ainda, da premissa de que tais testemunhos, juntamente com os de advogados, familiares e militantes permitiriam aprofundar as pesquisas desenvolvidas sobre as lutas revolucionárias e de resistência; a clandestinidade; as formas institucionais da repressão política e as disputas políticas estabelecidas dentro e fora dos cárceres. Os depoimentos dos ex-presos permitiram, ainda, a análise de suas estratégias de sobrevivência e memória. Tais estratégias foram aqui discutidas à luz dos esforços empreendidos para a compreensão da maneira como eles próprios reorganizaram identidades, constituíram grupos de ação política e definirarm maneiras de se relacionar com o legado das experiências-limite. Reconstruir as tramas dessa história, com o suporte do material coletado, apresenta novas possibilidades de interpretação desse período recente da história brasileira cuja atualidade permanece.

 


 

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História