História Oral - NEHO

A caballo entre dos mundos: guerra civil espanhola e o "exílio" infantil

Autor: 
Maria Eta Vieira
Ano: 
2001
Resumo / Abstract: 

Um dos aspectos mais dramáticos decorrentes da Guerra Civil Espanhola (GCE) foi o grande deslocamento populacional provocado pelo conflito entre as forças que disputavam o poder na Espanha nos anos trinta do século passado. O número de exilados pode ter chegado a meio milhão de pessoas; entre elas, cerca de oitenta mil crianças que foram repartidas por diferentes países da Europa. A maior parte dessas crianças retornou à Espanha depois do final de Guerra. No entanto, as que foram enviadas à ex-URSS não voltaram imediatamente, permanecendo neste país por quase vinte anos. Foram instaladas em locais conhecidos como Casas de Niños Españoles, onde receberam cuidados e educação formal. Esta pesquisa teve como principal objetivo o estudo de histórias de vida dessas crianças espanholas "exiladas" na ex-URSS. Concentramo-nos no grupo de pessoas que retornaram para a Espanha a partir de 1956. A partir dos pressupostos da história oral nos foi possível destacar aspectos relacionados ao significado dessa experiência no processo de formação identitária de cidadãos divididos entre as duas sociedades.

 


 

Área do Conhecimento: 
História Social

Goya: história e representações do popular

Autor: 
Roberto Vincenzi Kusmini
Ano: 
2001
Resumo / Abstract: 

O "popular" relacionou-se intimamente com o contexto histórico espanhol do final do século XVII e começo do século XIX: ganhou forma na cultura da Ilustração, legitimidade com a Constituição de 1812 e protagonismo na resistência à invasão napoleônica na primeira guerra Romântica da história. Por outro lado, as contradições do popular histórico espanhol despontaram com a mesma rapidez dos acontecimentos: expurgou os valores da Revolução Francesa; reagiu à Constituição liberal de 1812 e apoiou a restauração da monarquia por Fernando VII. Os termos "povo" e "popular" foram freqüentemente empregados pela historiografia goyesca para justificar sua biografia e, às vezes, sua produção. Raros foram os estudos que problematizaram esses conceitos em seu sistema visual. O popular não foi exclusivo de Goya, mas tema de muitos outros pintores, bem como escritores, políticos e intelectuais. Esta dissertação propõe analisar algumas obras seriadas goyescas, especialmente a série de cartões para tapeçaria (1775-1791), dois conjuntos de pinturas de gabinetes (1794 e 1816) e as séries de gravuras "Los Caprichos" (1799) e "Los Desastres de la Guerra" (1810-1823), para distinguir os significados de seu sistema visual frente as diversas outras representações do popular. O conhecimento da singularidade do popular goyesco permite formular a hipótese de que suas representações anunciaram uma crise da imagem simbólica do Antigo Regime espanhol como, por exemplo, a substituição do sujeito nominativo (reis, rainhas, príncipes, nobres, etc.) pelo sujeito "vulgar" e anônimo na iconografia

 


 

Área do Conhecimento: 
História Social

Histórias de vidas de mulheres negras: estudo elaborado a partir das escolas de samba paulistanas

Autor: 
Eloísa Maria Neves Silva
Ano: 
2002
Resumo / Abstract: 

O trabalho tem por objetivo documentar e analisar o processo de constituição das escolas de samba e do carnaval paulistano a partir do ponto de vista da mulher negra. Através da metodologia proposta pela história oral registrei histórias de vida em quatro importantes escolas de samba de São Paulo: a Camisa Verde e Branco, a Vai Vai, a Unidos e Peruche e a Nenê de Vila Matilde. Família, trabalho e samba surgiram nos relatos como instâncias norteadoras das experiências vividas. As narrativas descrevem em detalhes a participação feminina na organização da população negra tanto no espaço doméstico quanto no desenvolvimento de atividades relativas ao lazer, como por exemplo, as escolas de samba e o carnaval. Concluí que as mulheres, independentemente das diferentes funções exercidas, foram imprescindíveis e não meras coadjuvantes do processo histórico.

 


 

Área do Conhecimento: 
História Social

Processos de mudanças no MST: história de uma família cooperada

Autor: 
Suzana Lopes Salgado Ribeiro
Ano: 
2002
Resumo / Abstract: 

Este trabalho propõe uma visão dos processos de mudança que estão ocorrendo na estrutura familiar dentro do maior movimento social do Brasil contemporâneo: o MST. A pesquisa de campo acompanhou uma família de trabalhadores rurais assentados na área III da Fazenda Pirituba, no município de Itaberá, sudoeste do Estado de São Paulo. O texto é composto por uma apresentação do trabalho de campo, seguida de uma explicação dos procedimentos metodológicos de história oral utilizados e de uma contextualização da questão fundiária brasileira. Além disso tem-se três depoimentos que conduziram a uma análise em torno dos temas: a terra, a casa, a família e a cooperativa. No interior das discussões dessa família surge o embate sobre a opção em ser um trabalhador cooperado, que desenvolve trabalho coletivo ou um assentado que trabalha a terra de modo individual/familiar, contando apenas com a mão-de-obra de seu núcleo parental.

 


 

Área do Conhecimento: 
História Social

Ecos da Febem: História Oral de Vida dos Funcionários da Fundação Estadual de Bem-estar do Menor de São Paulo

Autor: 
Fábio Bezerra de Brito
Ano: 
2002
Resumo / Abstract: 

O objetivo central da dissertação consistiu em produzir um conjunto de histórias orais de vida com funcionários da Fundação Estadual de Bem-Estar do Menor de São Paulo - FEBEM-SP. Essa instituição, criada em 1973 para o atendimento de crianças e adolescentes carentes, abandonados e infratores, tem uma história conturbada, marcada por tentativas frustradas de reformas de seu modelo de contenção, fugas, rebeliões e violações dos direitos humanos dos internos. Por meio das narrativas, pretendeu-se iluminar a complexidade e diversidade das experiências vividas por funcionários de diferentes setores da instituição, aprofundando o conhecimento sobre os pontos de vista desses sujeitos normalmente retratados de modo estereotipado e superficial. O processo de coleta e transcrição das entrevistas foi desenvolvido segundo os pressupostos técnicos e metodológicos da história oral de vida, envolvendo a realização de entrevistas não-diretivas e a elaboração da versão escrita das gravações. As narrativas orais são consideradas como documentos intencionalmente produzidos e condicionadas por um determinado contexto social. Os narradores elaboraram versões do passado de acordo com suas concepções de mundo, visão sobre a instituição e preocupações em relação à construção de uma imagem pessoal e pública.

 


 

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História Social

A sedução da história: Tempo e mudanças nas concepções políticas de Luiz Carlos Prestes

Autor: 
Glauber Cícero Ferreira Biazo
Ano: 
2003
Resumo / Abstract: 

A pesquisa consiste na investigação da trajetória política de Luiz Carlos Prestes entre as décadas de 1920 e 1980. Através do levantamento de manifestações públicas de suas idéias em artigos, falas, manifestos e entrevistas, em sua maior parte impressas, procurou-se identificar as principais referências teóricas empregadas por Prestes em sua atividade política e avaliar a formação das suas concepções político-ideológicas, particularmente no que diz respeito à problemática da revolução brasileira, historicizando as mudanças temáticas e estratégicas propugnadas pelo personagem ao longo do tempo.

 


 

Área do Conhecimento: 
História Social

Estudos brasileiros: ângulos norte-americanos

Autor: 
Ana Luiza de Lima Coimbra
Ano: 
2006
Resumo / Abstract: 

Este trabalho pretendeu acompanhar alguns ângulos dos Estudos Brasileiros nos EUA, com o objetivo de explicar porque os estudantes universitários estadunidenses, para uma experiência em educação internacional, preferem outros países da América Latina. Entrevistas iniciais com professores norte-americanos, no Brasil e nos EUA, e mais tarde com estudantes, apontavam para a língua portuguesa como o principal obstáculo, pela pouca penetração e reduzida perspectiva profissional, em oposição ao espanhol, língua irmã, que dimensionava o oposto. Por acreditar que um país não se restringe à sua língua, buscou-se outras razões que levassem ao entendimento de um processo histórico mais amplo. Dos olhares e relatos descompromissados, porém etnocêntricos, dos viajantes norte-americanos do século XIX, aos brasilianistas que até o presente ensinam Estudos Brasileiros nos EUA, procurou-se elementos que pudessem explicar o atual estado de coisas. Nesta pesquisa encontramos um cenário interno de relações desequilibradas, entre os professores de língua portuguesa e os de Estudos Brasileiros. Esta constatação, por um lado, confirmava ser a língua portuguesa o fator determinante da pequena visibilidade de nosso país nos EUA. Os motivos, porém, mostravam-se mais amplos, ligados a financiamentos e questões políticas de segurança nacional norte-americana. Por outro, foi possível constatar que os Estudos Brasileiros, ocupando posição privilegiada em relação à língua, também desempenham um papel neste cenário. O conjunto documental utilizado, tanto as entrevistas como a historiografia, levaram a uma abertura para reflexões sobre a pouca visibilidade dos Estudos Brasileiros nos EUA.

 


 

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História Social

Raízes do pentecostalismo no Brasil: a canção da mudança

Autor: 
Natanael Francisco de Souza
Ano: 
2008
Resumo / Abstract: 

Este estudo analisa o pentecostalismo no Brasil durante a ditadura militar. O corpus documental da pesquisa foi a produção musical popular dessa religião e entrevistas realizadas com os produtores desse tipo de música. Partiu-se de um retrospecto histórico do pentecostalismo desde suas origens no Brasil e no mundo visando a compreensão de suas características. Nesse retrospecto foram apresentados os pressupostos da fé pentecostal. Para o estudo do período em destaque, alguns conceitos como negociação, memória, representações sociais foram considerados. A percepção dos crentes, sua identidade e os papéis assumidos por eles, foram elementos para determinar mudanças e permanências, proporcionando assim, novos recursos para o estudo da religião.

 


 

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História Social

Experiências de moradia: história oral de vida familiar

Autor: 
Xênia de Castro Barbosa
Ano: 
2009
Resumo / Abstract: 

Esta pesquisa propõe um registro de aspectos da experiência de vida de duas famílias: uma que reside em Porto Velho e outra que tem membros em São Paulo e Itapecerica da Serra. Dentre a complexidade de suas experiências, procuramos analisar suas lutas por moradia, percepções da cidade e o ordenamento de seus projetos familiares. Para isso realizamos três anos de trabalho de campo, registramos e analisamos suas histórias de vida, elaboradas mediante procedimentos e noções da história oral. O texto está organizado do seguinte modo: Parte I: Apresentação, História do Projeto, Considerações sobre o Corpus Documental, sobre o Tema da pesquisa e a Leitura em história oral; Parte II: Narrativas de uma família de São Paulo, na qual apresentamos 10 histórias de vida de familiares e agregados que se consideram pertencentes a essa família, e Narrativas de uma família de Porto Velho, em que expomos seis histórias de vida de integrantes daquela família; Parte III: Leitura e Interpretação, na qual analisamos as histórias de vida apresentadas no capítulo anterior.

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História Social

No interior... Ditadura militar e ensino superior (FAFI / UNESP): memórias sobre a intervenção na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto

Autor: 
Maria Aparecida Blaz Vasques Amorim
Ano: 
2009
Resumo / Abstract: 

A 435 km da cidade de São Paulo, longe dos grandes centros, em São José do Rio Preto, o Golpe Militar de 1964 também se manifestou. No dia 1º de Abril de 1964, os interventores estavam a postos dentro da Faculdade Isolada de São José do Rio Preto, hoje UNESP. Isso porque desde o final dos anos 1950, uma intensa movimentação cultural acontecia. De lá partiam anseios reais e objetivos com relação à educação pública de qualidade, alfabetização de adultos, reforma universitária e conscientização do povo através da arte. Os responsáveis por esses movimentos eram os integrantes do grupo de teatro amador GRUTA, criado pelo Professor Orestes Nigro, que surgiu como uma alternativa cultural aos estudantes.Estabelecendo intercâmbio com artistas consagrados, se apresentava nas cidades da região e em outras universidades Isoladas do interior paulista. As atividades passaram a se articular com propostas políticas de esquerda, juntando-se, por exemplo, ao MPC (Movimento Popular de Cultura) que havia sido fundado pelo Professor Wilheim Heimer, alemão, docente da faculdade. Com a intervenção, professores e alunos envolvidos nesses movimentos foram presos. O presente trabalho, valendo-se do recurso de História Oral, busca registrar, estabelecer e analisar narrativas dos sujeitos que atuaram como educadores e alunos deste grupo, desejando contribuir para a compreensão de suas experiências e dos resultados dessa intervenção para a educação superior brasileira.

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História Social
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