Linhas de Pesquisa

1) Poderes e Intervenções

Esta linha de pesquisa é constituída por estudos sobre as relações de poder que configuram as formações sociais, as formas jurídicas e as estratégias de dominação nas sociedades humanas. Entende-se que as diversas formas de poder – os micro poderes, as dominações de gênero, as práticas discricionárias contra grupos étnico religiosos, as formas de controle social pelo Estado – todas estas formas engendram rebeldias, resistências e estratégias de libertação dos sujeitos e grupos sociais que se insurgem contra os poderes instituídos e as práticas simbólicas de violência.

Esta dinâmica entre poderes, contrapoderes e novas formas de controle ou de autonomia se materializam em intervenções políticas, culturais e artísticas capazes de tecer um emaranhado de significados da vida social. Os indivíduos e grupos se reconhecem por intermédio destas intervenções e se constituem, simultaneamente, como sujeitos históricos e como sujeitos do devir. Surgiriam, assim, na esfera pública, novas práticas de liberdade e formas originais de expressão das subjetividades que poderiam configurar relações sociais diversas e um novo sentido para o humano. Simultaneamente, emergiriam estratégias de dominação mais sofisticadas capazes de solapar a totalidade do vivido, sob a forma de controles legais, da criminalização das práticas sociais (contra os pobres, sem-terra, homossexuais, negros entre outros), da sociedade do espetáculo que mediatiza toda experiência e reduz ao sensorial erótico as formas de sociabilidade contemporânea.

Nesta linha de pesquisa, portanto, estão incluídos os trabalhos que investigam as tensões e relações de poder das instituições (escola, igreja, manicômios, presídios) e das formas espontâneas e não-institucionalizadas de rebeldia e resistência; que estudam as configurações sociais e as práticas simbólicas de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, assim como, as relações de poder e dominação nas zonas rurais; que identificam as dinâmicas das manifestações artísticas (cinema, teatro, literatura, televisão) e das práticas culturais e formas de sociabilidade urbanas (usos e rebeldias no espaço público, as chamadas intervenções urbanas, as festas populares, as novas redes sociais da web); e, finalmente, as pesquisas que analisam as formas de comportamento e de relacionamentos interpessoais e nos redimensionamentos do viver em sociedade.

 

2) Gênese e Gestão de Políticas Públicas

Esta linha de pesquisa se fundamenta na construção de três eixos complementares: criticar as ações políticas historicamente estabelecidas ao longo do período republicano brasileiro; examinar as tendências do encaminhamento destinado às ações e práticas de atendimento público na atual ordem política coletiva; elaborar discurso crítico sobre as ações do Estado e instituições oficializadas.

Em termos diretos esta linha tem como propósito o entendimento da aplicação de fundamentos políticos orientadores da ordem democrática brasileira, a compreensão do comportamento das instituições que assumem o comando da ordem pública e principalmente a crítica social procedida pela população.

Um conjunto de disciplinas será proposto para avaliar as medidas práticas projetadas legalmente – leis, decretos, atos institucionais – exaradas pelo Estado e instituições oficializadas, e verificar quais os móveis ideológicos e os mecanismos práticos de seus exercícios. Entender como interagiram teorias que nutriram propostas do poder público e suas aplicações exige exame continuado das relações Estado e sociedade. Na mesma ordem buscar-se-á a consideração dos efeitos no processo político comunitário e a análise das consequências sociais frente aos eventuais excessos institucionais.

A ordem, a segurança, o bem estar coletivos e os direitos humanos capazes de dimensionar a vivência social e os mecanismos hábeis para propor condições de participação em níveis democráticos serão focalizados segundo a lógica de suas posições politicamente estabelecidas.

Os direitos inerentes à pessoa – direito à vida, à educação, ao atendimento médico, ao exercício profissional – serão contemplados segundo a racionalidade dos fundamentos políticos. Entendendo que a gestão de políticas públicas é dimensão da sociedade civil, esta linha de pesquisa pretende propor críticas e atuar nos debates sobre o papel da sociedade civil na construção dessas políticas.

 

3) Etnocentrismo: Natureza e Cultura

Esta linha de pesquisa se propõe ao questionamento da posição hegemônica do capitalismo que engendra e sustenta a dominação do homem branco ocidental sobre a natureza. Em termos do paradigma de análise e produção de conhecimento científico daí decorrentes, essa posição eurocêntrica se esforça em desqualificar a legitimidade de reflexões a respeito de processos ao longo da história passada e presente, em lugares diversos, inclusivos de outros modelos de entendimento a respeito das relações natureza e cultura. Tais modelos operam, em geral, em escala reduzida e levam em conta uma integração ecológica entre as componentes da vida em seu local de existência, inserindo o homem transversalmente nas tramas relacionais e não como ápice de uma suposta verticalidade.

A condição para esse empreendimento crítico é acolher saberes díspares em relação ao paradigma da ciência ocidental, na direção de compor um campo problemático para a reflexão teórica que mantenha entrelaçadas as perspectivas do meio ambiente, das relações sociais e culturais bem como da subjetividade. Há sociedades indígenas, australianas, rituais xamânicos, cultos do Candomblé que incorporam tais perspectivas inextrincáveis nas suas práticas cotidianas, afirmando uma posição diversa sobre a divisão conceitual real entre homem e natureza. Assim, para não morrer, os membros dessas sociedades devem respeitar rigorosamente certas normas impostas pela natureza – o que envolve respeitar os ciclos de reprodução das espécies vivas. Já no mundo em que vivemos, o capitalismo se sustenta por uma rede de escala planetária cujas forças de atração e conversão para seu núcleo são uma espécie de fatalidade. Todo movimento singular e diruptivo, toda ação criativa, toda iniciativa inédita e pontual tende a sofrer pressões para se tornar assimilável ao funcionamento econômico, destituída de sua diferença estrutural, e acabar por gerar lucro em diversas economias: financeira, semiótica e de desejo – a despeito de malefícios enunciados e outros constatados que recaem sobre a natureza e a cultura, como consequência desse modelo econômico.

Esta linha de pesquisa atenderá aos trabalhos voltados à investigação dos pressupostos e ações de grupos comunitários e sociais preocupados em encontrar alternativas exequíveis a suas questões e demandas cotidianas não atendidas pelas instâncias responsáveis da sociedade (grupos de minorias discriminadas, organizações de bairro e estudantis, grupos de interesse comum na preservação de patrimônios públicos na cidade e no campo, sociedades protetoras de animais, grupos defensores da natureza grupos voltados a ajudas humanitárias); trabalhos interessados em conhecer, estudar e divulgar organizações societárias com tradição própria nos cuidados com a saúde, nas trocas econômicas, nos modelos educacionais, nas questões de sustentabilidade e cujos padrões de convivência urbanos e rurais se mantêm paralelos, com algum grau de independência, dos poderes públicos instituídos legalmente (comunidades indígenas, quilombolas, migrantes; grupos religiosos sustentados ao redor de valores comunitários; redes virtuais auto organizadas e auto geridas em torno de um assunto ou prática de interesse comum); e ainda trabalhos que discutam as formas de sociabilidade em processos de assimilação, que possam enfrentar resistências significativas diante do status quo, mas que se apresentam como alternativas aos grupos que as desenvolvem e as praticam.

 

 

Orientadores por Linha de Pesquisa:

 

Linha de Pesquisa: Poderes e Intervenções

Américo Adlai Franco Sansigolo Kerr

André Mota

Antonio Ribeiro de Almeida Júnior

Cláudia Moraes de Souza

Francione Oliveira Carvalho

Gislene Aparecida dos Santos

José Antonio Vasconcelos

Marcelo Arno Nerling

Maria Constança Peres Pissarra

Maria das Graças Souza

Zilda Márcia Grícoli Iokoi

 

Linha de Pesquisa: Gênese e Gestão de Políticas Públicas

André Mota

Fábio Ramazzini Bechara

Fátima Corrêa Oliver

José Antonio Vasconcelos

José Carlos Sebe Bom Meihy

Marcelo Arno Nerling

Paulo Endo

Sandra Regina Chaves Nunes

 

Linha de Pesquisa: Etnocentrismo: Natureza e Cultura

André Mota

Doris Accioly e Silva

Eucenir Fredini Rocha

Gilson Schwartz

Maria Cristina Cortez Weissenbach

Maurício Cardoso

Mara Selaibe

Margarida Maria Moura

Renato da Silva Queiroz

Sérgio Bairon Blanco Sant'Anna