Resumo das mesas

Rosângela Gavioli Prieto – FEUSP

Exerce atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre políticas públicas de educação especial; professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo; graduada em Pedagogia, com habilitações em Administração Escolar e para o ensino de alunos com deficiência intelectual; mestre em educação especial pela Universidade Federal de São Carlos e doutora em Administração Escolar pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Título da comunicação: Educação especial e política de inclusão escolar no Brasil

Resumo: A exposição pretende propiciar elementos para compreensão das mudanças e embates que envolvem a educação especial após a promulgação da Constituição Federal de 1988, focalizando as diretrizes emanadas pela legislação nacional e demais orientações que regem e subsidiam a política nacional nesta área.

Roberto Rillo Bíscaro – IFSP-Campus Birigui

Possui graduação em Letras - Licenciatura Plena pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Penápolis (1993), mestrado em Língua e Literaturas Inglesa e Norte Americana pela Universidade de São Paulo (2002) e doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo (2006). Atualmente é professor titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Inglesa, atuando principalmente nos seguintes temas: dramaturgia norte-americana contemporânea, dramaturgia e AIDS, movimento gay norte-americano, teatro de Terrence Mcnally e políticas públicas de saúde.

Título da comunicação: A construção do movimento pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil.

Resumo: A palestra pretende traçar os caminhos e especificidades da luta por direitos e visibilidade empreendida pelas pessoas com albinismo do Brasil. Grosso modo, a Bahia, através da APALBA (Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia), enveredou pelo caminho da organização em associação, enquanto as pessoas com albinismo do sudeste tendem a exercer seu ativismo via internet, redes sociais e inserção na mídia.

Luiz Alberto David Araujo – PUC-SP

Mestre, Doutor e Livre Docente em Direito Constitucional. Professor Titular de Direito Constitucional da PUC-SP. Foi Procurador do Estado de São Paulo (por concurso público). Foi Procurador da República, aposentando-se como Sub-Procurador Geral da República. Autor dos livros: A proteção constitucional das pessoas com deficiência, 4a. edição, Secretaria Nacional dos Direitos Humanos (cópia gratuita), A proteção constitucional do transexual (Saraiva), A proteção constitucional da própria imagem, 2a. edição, Verbatim.

Título da comunicação: Instrumentos para a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência: via judicial e não judicial.

Resumo: Inegável que temos muitos direitos assegurados tanto na Convenção, na Constituição, nas leis e decretos. Como, no entanto, viabilizar e efetivar a sua aplicação? Que instrumentos o cidadão pode se utilizar. Apresentação dos diversos autores competentes para o ajuizamento da ação civil pública, dos instrumentos para defesa (judicial e extrajudicial) individual. Diagnóstico dos problemas e tentativa de ajudar na solução.

Débora Diniz – UnB/Anis

É professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética Direitos Humanos e Gênero. É representante do Research Project Review Panel (RP2) - Department of Reproductive Health and Research (RHR) da OMS; membro da Câmara Técnica de Ética e Pesquisa em Transplantes do Ministério da Saúde; e membro do Advisory Committee do Global Doctors for Choice / Brasil. Desenvolve projetos de pesquisa sobre bioética, feminismo, direitos humanos e saúde. Foi pesquisadora visitante na University of Leeds (Gender Studies), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Instituto de Medicina Social), Instituto Oswaldo Cruz (Comunicação, Informação e Saúde), University of Michigan (Law Faculty), University of Toronto (Law Faculty e Joint Center for Bioethics) e Universidade de Sophia, Tóquio (Iberoamerican Institute). Foi bolsista MacArthur. Possui 114 artigos publicados em periódicos científicos, 73 capítulos de livro, 12 livros, 14 livros organizados, 6 números temáticos de periódicos organizados, 158 artigos em jornais e revistas e 6 filmes. É co-editora chefe do periódico Developing World Bioethics, editora assistente de Ciências Sociais e Humanas da Revista Ciência e Saúde Coletiva e co-editora de artigos originais da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde. Os filmes já foram exibidos em 136 festivais, em 27 países. Recebeu 83 prêmios por pesquisas e filmes. Seu mais recente filme, A Casa dos Mortos, sobre manicômios judiciários, recebeu 25 prêmios e foi finalista para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Recebeu, em setembro de 2012, o Fred L. Soper Award for Excellence in Public Health Literature, concedido pela Fundação Pan Americana para a Saúde e Educação, órgão ligado à Organização Pan Americana da Saúde, pelo artigo "Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna", publicado em parceria com o economista e sociólogo Marcelo Medeiros. Em 2013, lançou o livro "A custódia e o tratamento psiquiátrico no Brasil: censo 2011", o primeiro censo sobre manicômios judiciários no país.

Título da Comunicação: Deficiência e Igualdade

Resumo: Deficiência não é mais uma simples expressão de uma lesão que impõe restrições à participação social de uma pessoa. Deficiência é um conceito complexo que reconhece o corpo com lesão, mas que também denuncia a estrutura social que oprime a pessoa deficiente. Um corpo com deficiência é uma expressão da diversidade humana. Entre as restrições corporais e a experiência da deficiência há a distância imposta pela desigualdade. O que discutimos, aqui, é como podemos diminuir cada vez mais essa distância e reconhecer que na desigualdade os direitos humanos das pessoas com deficiência devem ser os primeiros a ser protegidos e respeitados.

Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia – UFS

Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais e do Núcleo de Pesquisa e Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba e graduado em Comunicação Social também pela UFPB. Membro do Comitê Deficiência e Acessibilidade da ABA. Líder do GRAPPA (Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais). Pesquisador associado à RIESDIS (Red Iberoamericana de Estudios Sociales sobre Discapacidad) e ao GREM (Grupo de Pesquisa e Sociologia e Antropologia das Emoções).

Título da Comunicação: Corpo e emoções, deficiência e exclusão social

Resumo: Esta comunicação tem como objetivo refletir sobre a relação entre corpo, emoções e deficiência. A apresentação busca contrastar os discursos sobre deficiência, exclusão e inclusão social com as práticas cotidianas e narrativas de indivíduos cegos moradores de Porto Alegre, ao discutir o “corpo deficiente” em uma perspectiva crítica aos modelos de abordagem propostos nas áreas biomédicas e nos estudos culturais sobre a deficiência. O corpo é compreendido como elemento de apreensão e expressão dos processos de configuração das memórias e das identidades de grupos sociais em situação de exclusão. A discussão se dá em torno das tensões do jogo da exclusão e da socialização reveladas nas interpretações dos sujeitos sobre suas experiências pessoais e coletivas. As práticas cotidianas e as emoções expressas nas suas narrativas são os elementos reveladores dos processos de exclusão no jogo social.

Lilia Ferreira Lobo – UFF

Doutora em psicologia, professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense (mestrado e doutorado), autora do livro: Os infames da história – pobres, escravos e deficientes no Brasil, Rio de Janeiro, Editora Lamparina, 2008.

Título da Comunicação: Estudo genealógico das anormalidades infantis no Brasil e as questões atuais de inclusão e exclusão

Resumo: Estudo genealógico das anormalidades infantis no Brasil e as questões atuais de inclusão e exclusão

Ana Cristina Mancussi e Faro – USP 

Bacharel em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP , Mestre e Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP. Livre Docente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP. Desenvolve ensino e pesquisa na área da Reabilitação, especificamente sobre lesão medular , paraplegia e tetraplegia na saúde do adulto. Líder do Grupo de pesquisa Reabilitação , funcionalidade e educação na saúde desenvolve estudos sobre Auto cuidado, Simulação realistíca em laboratório de habilidades em Enfermagem. Atualmente Chefe do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP.

Título da Comunicação: Educação inclusiva em enfermagem/saúde

Resumo: Educação é um direito de todos e a inclusiva também o é a todos aqueles com diferenças ou com necessidades a serem atendidas para a admissão, permanência e conclusão na formação inicial ou escolar ao longo da vida escolar. As deficiências que geram diferentes incapacidades podem estar presentes desde o nascimento ou adquiridas ou desenvolvidas ao longo da vida de uma pessoa. Assim, a inclusão para a formação educacional institucionalizada tem que ser prevista e possibilitada pelos aparelhos sociais ,  a todos indistintamente. Para tanto, se faz necessária a capacitação e o desenvolvimento de ações políticas para a formação de professores, bem como de estabelecimento de políticas públicas para a orientação e esclarecimento de toda a população. Faz-se necessário acompanhar e apoiar a quem ensina e a quem aprende, na transformação e proposição de modelos de ensino, principalmente aqueles considerados como válidos e imutáveis. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 (LDB,1996) , a Educação Especial passa a ser compreendida como uma modalidade de educação escolar que deve se situar no ensino e na rede de ensino para aqueles educandos que apresentam necessidades especiais.. Trata-se de uma proposta pedagógica que assegura recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar o desenvolvimento e a formação educacional completa do indivíduo. Na Enfermagem, enquanto formação inicial do enfermeiro, como em qualquer momento do processo educativo do indivíduo são necessárias adaptações curriculares, que incluem o conhecimento sobre as necessidades dos alunos ou educandos e a atuação pedagógica. O conhecimento sobre as necessidades do educando se configuram como o ponto de partida para a organização da prática pedagógica para admitir, permanecer e concluir a formação. Assim, pretendo destacar na palestra propriamente dita, alguns resultados de pesquisa sobre Educação inclusiva em Enfermagem, o que certamente envolve os direitos e  cidadania de cada um de nós para a formação e inclusão social.

Enicéia Goncalves Mendes – UFSCar  

Conclui o Doutorado em Psicologia pelo IP-USP em 1995, fiz mestrado em Educação Especial na UFSCar e graduação em Psicologia na FCLRP-USP. Atualmente sou professora associada da Universidade Federal de São Carlos, docente do Depto de Psicologia e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Lidero o Grupo de Pesquisa sobre Formação de Recursos Humanos em Educação Especial (GP-FOREESP) e coordeno o Programa de Extensão sobre Formação Continuada em Educação Especial. Fiz estágios no exterior (Estados Unidos e Peru), e pós-doutorado na Université Paris V- Sorbonne na França (2007-2008). Atuo na area de Educacao com ênfase em Educação Especial. Desenvolvo e oriento pesquisas sobre inclusão escolar, recursos de alta tecnologia assistiva e formação de profisssionais para atuar com estudantes com necessidades educacionais especiais.

Título da Comunicação: “O observatório Nacional de Educação Especial: um estudo em rede sobre inclusão escolar no Brasil"

Resumo: O estudo inaugural do Observatório Nacional de Educação Especial (Oneesp) tem como foco o programa de implantação de “Salas de Recursos Multifuncionais” (SRMs) do MEC, e foi proposto por 25 pesquisadores provenientes de 18 estados brasileiros, representantes de 22 universidades (USP, UEL, UNESP, UFPA, UEPA, UFBA, UFPB, UNIR, UFAL, UDESC, UNIVALI, UFG, UFAM, UFES, UFMS, UFRJ, UERJ, UFRRJ, UFRN, UFF, UNIMONTES, UFSCA) e de 16 programas de pós-graduação. O estudo em rede prevê pesquisas em municípios com professores de salas de recursos, baseados na metodologia da pesquisa colaborativa, que tem como foco produzir simultaneamente conhecimento e formação; combinado com um estudo nacional do tipo survey com questionário on line que pretende coletar dados com uma amostra de 2.500 professores das SRMs. Ao longo dos dois primeiros anos do projeto previsto para quatro anos, buscou-se consolidar e ampliar a rede de pesquisa no âmbito dos estados e municípios, que no presente conta com 346 integrantes (60 são pesquisadores da rede nacional, 55 pesquisadores integrantes das redes locais, 49 estudantes de pós-graduação, 76 alunos de graduação, 106 integrantes são profissionais das redes públicas -gestores de Educação Especial e professores de salas de recursos multifuncionais- e três outros). O estudo piloto foi concluído no município de Rio Claro (SP) para desenvolver instrumentos e procedimentos. No momento a Etapa 1 (condução dos procedimentos éticos) e a Etapa 2 (caracterização da política de inclusão escolar dos municípios participantes) foram concluídas e encontra-se em fase de conclusão a Etapa 3 da pesquisa colaborativa com os professores de salas de recursos. Pretende-se apresentar os dados preliminares referentes aos três eixos temáticos a saber: formação dos professores que trabalham nas SRMs; o processo de avaliação, para identificação, planejamento e promoção, dos alunos com necessidades educacionais especiais das SRMs e a organização e funcionamento das SRMs. Com base nesses dados preliminares é possível concluir que apesar das diretrizes serem comuns, os municípios fazem diferentes traduções da política nacional quando tentam sua implementação em nível local, gerando boas prática, principalmente quando assumem a responsabilidade de criar uma rede de serviços para além do sistema simplificado que recomenda o ministério de educação.

Karin Lilian Strobel – UFSC

Durante quase 20 anos eu trabalhei como professora de surdos em escolas de surdos na cidade de Curitiba-Pr e por 10 anos fiz parte de equipe pedagógico de DEE/SEED (Secretaria de Educação do Paraná). Doutora na área de educação em Universidade Federal de Santa Catarina UFSC (bolsista CNPq), formada em pedagogia da UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) e com especialização em área de surdez. Autora do livro:As imagens do outro sobre a cultura surda", editora UFSC, Florianopólis, ano 2008. O livro traz uma série de questionamentos e reflexões acerca da forma como a sociedade vê os indivíduos surdos. Um deles diz respeito à cultura e à existência de um povo surdo ou de uma comunidade surda . Atualmente faço parte de equipe de Letras/Libras como autora e 'professora' das disciplinas "Fundamentos de Educação dos Surdos", "História de Educação dos Surdos", "Metodologia de ensino de Libras como Língua 1" e "Metodologia de ensino de Literatura surda" e também como tutora- EAD, de turma de licenciatura de Letras/Libras de UFSC. Tenho experiência com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: língua de sinais, educação, surdos, lingüística e metodologia de língua de sinais. Atualmente sou voluntária sendo diretora-presidente da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos FENEIS, órgão sem fins lucrativos, que atua na defesa dos direitos das pessoas surdas. Como mulher surda que também protagonizou muito dos momentos históricos que são resgatados durante a trajetória de vida, tanto como surda quanto profissional da área, pretendo realizar muitos projetos que retrate positivamente e vitoriosamente em prol aos movimentos surdos.

Título da Comunicação: Reflexões sobre práticas de ensino aos surdos

Resumo: O contexto brasileiro atual sobre o ensino de libras como L1 e português como L2. Os materiais didáticos e a formação de professores.

Fátima Daltro – UFBA 

Fatima Daltro é professora Adjunto II do Departamento I - Escola de Dança UFBA, Pós-doutorado pela Faculdade de Belas Artes - Universidade de Barcelona -CAPES/MEC (2011), Doutora em Comunicação e Semiótica - PUC- São Paulo (2007), Mestrado em Artes Cênicas - UFBA (2004), Especialização em Coreografia- UFBA (1985), Licenciatura em Dança - UFBA (1978). Membro do Colegiado do Programa de Pós-graduação em Dança -UFBA( 2010/2011/2012). Lidera o Grupo de Pesquisa Poética da Diferença que investiga processos improvisacionais em dança articulando a pesquisa artística e acadêmica, atuando principalmente nos temas, corpo, ambiente, comunicação. Também participa do Grupo de Pesquisa TRAMADAN (2008/2010), cujo foco é processos de mediação em áudiodescrição de imagens de dança para pessoas com deficiência visual, ênfase em acessibilidade (2008-2011). È diretora artística, coreógrafa e dançarina do Grupo X de Improvisação em Dança (1989-2012), cuja estética investiga processos de improvisação no ato de encenação e estudos em espaços não convencionais. Tem experiência em estudos do e no corpo e processos de criação com ênfase em acessibilidade para a pessoa com deficiência.

Título da Comunicação: Das potencialidades do corpo, dança e acessibilidades.

Resumo: O aumento da exposição midiática de imagens de corpos cadeirantes promove a impressão de colaborar para a inclusão social do corpo que nomeamos de deficiente. Todavia, a ação das nomeações consagradas pela imprensa, como a de pcd (pessoa com deficiência), opera justamente no sentido contrário, midiatizando a deficiência, transformando-a em um estigma. As imagens de corpos com deficiência que dançam que ganham divulgação estão sempre associadas à questão da superação de limites, vinculando aqueles corpos somente aos valores em circulação no mundo do desporto. O destaque que a Paraolimpíada ocupa na mídia se insere aí, na consolidação da abordagem desses corpos com imagens que se congelam em torno de uma uniformização das deficiências em um nicho único, delimitado pelo conceito de eficiência/produtividade adotado. Faz-se necessária uma reflexão crítica a respeito dessa situação para poder tratar da dança que esse corpo pratica fora dos estreitos limites impostos por esse mecanismo estigmatizador. Para isso, aqui se adota a Teoria Corpomídia (Katz & Greiner), com a qual se apresenta a hipótese de que o corpo do dançarino com deficiência é um sistema complexo e apto a romper com o discurso perverso que as imagens congeladas produzem. O conceito de corpomídia, formulado a partir do estudo da comunicação entre corpo, e seus ambientes, favorece o entendimento do papel que a exploração midiática tem quando congela as imagens que produz em torno da deficiência e não do deficiente com suas singularidades. Concluiu-se que o dançarino com deficiência é cultural e biologicamente implicado em um sistema de construção de imagens que o associam ao ‘corpo coitadinho’ e que são elas que o alimentam cognitivamente, com consequências nefastas para o processo de sua inclusão social. Daí a urgência em promover ações que possam romper com o discurso midiático em curso. A dança em com pessoas com deficiência precisa descobrir as suas poéticas, pois são elas que potencializam uma inserção Social efetiva.

Ricardo Fabrino Mendonça – UFMG 

É Professor Adjunto do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Comunicação Social pela UFMG (2009) e graduado em Comunicação/Jornalismo pela mesma instituição (2003), foi pesquisador da Fundação João Pinheiro (2010) e pesquisador visitante no Programa de Ciência Política da Australian National University (2007-2008). Também realizou estágio de estudo junto à University of Nottingham (2002-2003). É um dos líderes do Grupo de Pesquisa sobre Democracia Digital e integrante do Centro de Referência do Interesse Público. Atua nas áreas de teoria política (com foco em teoria democrática e teoria crítica) e comunicação e política.

Título da Comunicação: Lutas por reconhecimento das pessoas atingidas pela hanseníase

Resumo: Apesar da existência de uma considerável literatura sobre a história da hanseníase, predominam os estudos que enfocam a opressão e a dominação a que os antigos pacientes foram submetidos. Permanecem pouco estudadas as formas de resistência e as lutas políticas geradas por esses sujeitos. A apresentação é um esforço nessa direção, abordando como a própria vida cotidiana e as lutas organizadas permitiram o questionamento de sentidos e práticas opressoras. O estudo está embasado em um processo de observação em antigos hospitais-colônia brasileiros, 12 grupos de conversação com moradores dessas instituições, entrevistas não-estruturadas com lideranças do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e 45 edições do Jornal do Morhan.

Marie Claire Sekkel – USP

Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, desenvolve pesquisas na área da Psicologia Escolar relacionadas aos temas da educação inclusiva e do preconceito.

Título da Comunicação: A formação de atitudes frente à diferença na educação infantil

Resumo: No convívio diário das crianças na educação infantil é possível promover a formação de atitudes de abertura às diferenças, que se mantém ao longo da vida escolar. Para tal, não é suficiente colocar as crianças juntas. É necessário um trabalho intencional, calcado em situações concretas. A partir da experiência na educação infantil, podem-se produzir mudanças nos valores e modos de agir também dos familiares.

Linamara Rizzo Battistella – SEDPcD/USP 

Diretora do Instituto de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IMREA) por mais de 20 anos, antes de ser nomeada Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em 2008. Linamara Rizzo Battistella é médica fisiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP. Possui Doutorado e Livre Docência em Fisiatria, sendo responsável por Disciplinas na Graduação e Pós Graduação Médica. É coordenadora do Grupo de Trabalho do Comitê de Humanização do Hospital das Clínicas de São Paulo. Presidente da International Society of Physical and Rehabilitation Medicine - ISPRM, (Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação) no biênio 2004-2006. Atualmente é Presidente Honorária da entidade.

Personagem intensamente ativa no processo de ratificação da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada em 9 de julho de 2008 como Emenda Constitucional. À frente da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência articula ações que resultem em políticas públicas em prol da inclusão social das pessoas com deficiência.

Título da Comunicação: Conferência de abertura

Resumo: não se aplica

Ana Maria (Lia) Morales Crespo – Memorial da Inclusão (SEDPcD)

Jornalista, com mestrado em Ciências da Comunicação (ECA/USP) e doutorado em História Social (FFLCH/USP), Lia Crespo é ativista do movimento social das pessoas com deficiência, desde 1980, e autora do livro infantil “Júlia e seus amigos” (Nova Alexandria, 2005), que trata de deficiência e a importância da amizade para a construção de uma sociedade para todos.

Título da Comunicação: Da invisibilidade à construção da própria cidadania: o movimento social das pessoas com deficiência no Brasil.

Resumo: Entre 1975-85, inspiradas na mobilização nacional pela redemocratização do País, as pessoas com deficiência se organizaram num movimento nacional não apenas para lutar contra preconceitos e reivindicar direitos, mas, também e principalmente, para conquistar visibilidade e reconhecimento da própria voz. A exposição “Os caminhos das pessoas com deficiência” e os demais projetos desenvolvidos pelo Memorial da Inclusão recuperam e tornam pública partes importantes dessa história.

 

Participantes estrangeiros
Gideon Calder – University of Wales

Gideon Calder é professor assistente em Ética e Filosofia Social na Universidade de Wales, em New Port, Reino Unido e Presidente da Associação do Reino Unido para Filosofia Legal e Social. Ele escreveu ou editou sete livros e mais de trinta artigos, cujo tema em comum é uma preocupação com o atual questionamento da ética contemporânea, as teorias política e social e a aplicação dessas teorias a questões sociais prementes. Um importante interesse recente tem sido a relação entre as reivindicações e objetivos do movimento pelos direitos das pessoas com deficiência e outros temas mais amplos na teoria e política social atual.

Título da Comunicação: Representando a Deficiência

Resumo: Todos os movimentos sociais enfrentam questões sobre quão bem representam seus membros e seus interesses. Essas questões têm sido especialmente urgentes dentro do Movimento pelos Direitos das Pessoas com Deficiência. Até que ponto as “pessoas com deficiência” formam um grupo distinto e coerente com necessidades e objetivos compartilhados? E em que medida os objetivos desse Movimento se sobrepõem com outros movimentos sociais? Essa palestra explorará as questões no contexto dos debates recentes mais amplos sobre a política do reconhecimento, e a busca do que Nancy Fraser chama de “paridade participativa” de grupos e indivíduos marginalizados.

David J. Connor – CUNY 

O Dr. David J. Connor é professor associado e presidente do Departamento de Educação Especial da Hunter College, da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY). Ele também é um membro do programa de doutorado em Educação Urbana do Centro de Pós-Graduação da CUNY. Ele trabalhou no campo da educação por 25 anos, inclusive exercendo a função de professor, especialista em desenvolvimento profissional, e professor universitário. Dr. Connor completou seu doutorado na Teachers College, na Universidade de Colúmbia em 2005. Ele é autor ou co-autor de mais de 50 publicações em revistas revisadas e capítulos de livros, além de quatro livros: Reading Resistance: Discourses of Exclusion in Desegregation and Inclusion Debates (2006); Urban Narratives: Life at the Intersections of Learning Disability, Race, and Social Class (2008); Rethinking Disability: A Disability Studies Guide to Inclusive Education (2010); and, Disability & Teaching (2013). O Dr. Connor ganhou diversos prêmios, incluindo o “2005 Outstanding Junior Scholar Award” em Estudos sobre a Deficiência na área da educação, o “2006 Emerging Scholar” também em Estudos sobre a Deficiência na área da educação, promovido pelo DSE/Grupo Especial de Interesse da Associação Americana de Pesquisa em Educação; e o “2012 Hunter President’s Award” para Pesquisas Aplicadas.

Para mais informações, acesse: http://hunter-cuny.academia.edu/DavidJConnor

Título da Comunicação: Uma breve história dos Estudos sobre a Deficiência na Educação: Quais Conflitos? Os Direitos de Quem? Por que Diversidade?

Resumo: Nessa apresentação, será explicado o crescimento recente dos Estudos sobre a Deficiência na Educação (DSE, na sigla em inglês), tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo, valendo-se de três lentes para o passado, presente e futuro. Assim, os principais tópicos do Seminário serão abordados – conflitos, direitos e diversidade: Quais os principais conflitos entre o campo tradicional da educação especial e o DSE? Os direitos de quem são protegidos ou desafiados pelo DSE? Por que o DSE afirma que a deficiência é essencial para a compreensão da diversidade nas escolas e na sociedade? Ao considerar essas questões, veremos como o DSE contribui para a teoria, a pesquisa, a prática e a política – e o potencial que possui para desconstruir crenças e práticas opressivas por meio da criação de uma compreensão mais ampla da diversidade humana.

Michael A. Rembis – University of Buffalo

O Dr. Mike Rembis é Diretor do Centro para Estudos sobre a Deficiência, Pesquisador sobre Engajamento Cívico e Professor Assistente no Departamento de História. Foi para Buffalo após deixar a Universidade de Notre Dame, onde era professor visitante no Departamento de Estudos Americanos no Departamento de História. Seu trabalho, retratado em diversas publicações e coleções, recebeu vários prêmios, incluindo o “2008 Irving K. Zola Award”, promovido anualmente pela Sociedade para Estudos sobre a Deficiência para novos acadêmicos. Seu primeiro livro, “Defining Deviance: Sex, Science, and Delinquent Girls, 1890-1960”, está disponível pela Editora da Universidade de Illinois. Atualmente, está trabalhando em uma antologia histórica sobre a deficiência co-editada por Susan Burch, a ser disponibilizado também pela Editora da Universidade de Illinois. No terceiro trimestre de 2012, Rembis e o co-editor Kim Nielsen lançaram a série de livros Disability Histories também pela Editora da Universidade de Illinois. Desde o fim de seu doutorado em história, Rembis trabalhou como co-fundador e membro da Iniciativa para Estudos sobre a Deficiência na Universidade do Arizona, onde ajudou a criar um currículo de graduação em Estudos sobre a Deficiência. Ele também passou dois anos trabalhando com professores e administradores da Universidade de Notre Dame, construindo seu Fórum de Estudos sobre a Deficiência. Recentemente, Rembis recebeu o privilégio de beneficiar-se uma colaboração estreita com David Gerber (Professor Emérito de História) na Universidade de Buffalo, onde trabalharam no estabelecimento de um Centro para Estudos sobre a Deficiência e na criação de um programa de mestrado concentrado em Estudos sobre a Deficiência. Ele atua na Força Tarefa da Associação Histórica Americana sobre Deficiência e no Conselho Diretor da Sociedade para Estudos sobre a Deficiência.

Título da Comunicação: A Cidade como um Lugar de Contestação: Direitos das Pessoas com Deficiência e a Mídia nos Estados Unidos

Resumo: Nesta palestra serão utilizados alguns dos títulos do Museu da História da Deficiência, nomeadamente uma nova exposição chamada “Wrinting the Wrongs”, para explorar a cidade como um lugar de contestação por direitos, principalmente nos Estados Unidos dos últimos 100 anos, focando especificamente no papel desempenhado pela mídia no molde não só dos protestos das pessoas com deficiência, mas também na percepção pública sobre as próprias pessoas com deficiência. Tanto acadêmicos e quanto ativistas concordam que um clima político e social de mudança moldou as formas pelas quais as pessoas com deficiência e seus aliados tentaram conquistar sua voz para demandar seus direitos. A mídia, no entanto, permanece um componente pouco estudado e pouco teorizado na constituição dos protestos das pessoas com deficiência. Como as pessoas com deficiência utilizaram a mídia ao longo do século XX? Quais foram os resultados? Nesta apresentação há referências específicas ao Museu de História da Deficiência, localizado em Amherst, Nova York, e na internet (http://museumofdisability.org/).

Nicolas Watson - University of Glasgow

Nick Watson é Professor de Estudos sobre a Deficiência e Diretor do Centro Strathclyde para Pesquisas sobre a Deficiência na Universidade de Glasgow. Ele é um acadêmico com uma longa carreira e reputação internacional nas áreas da pesquisa e dos Estudos sobre a Deficiência. Realizou pesquisas em uma série de diferentes assuntos relacionados à deficiência, incluindo trabalhos sobre deficiência e igualdade, deficiência e educação, deficiência e infância, deficiência e emprego, e deficiência e novas tecnologias. Essas pesquisas foram financiadas por um conjunto de diferentes agências de fomento, incluindo Conselhos de Pesquisa, Governos, organizações estatutárias e do terceiro setor. Ele também é um líder reconhecido no desenvolvimento teórico de ideias sobre a deficiência. Seus trabalhos têm sido publicados em diversas publicações acadêmicas internacionais revisadas, e em nove livros editados, incluindo o recente “The Routledge Handbook for Disability Studies” (2012). Além de seu trabalho sobre deficiência, suas obras publicadas também abordam a igualdade e os direitos humanos de maneira mais geral. Seu mais recente trabalho nessa área versa sobre os direitos humanos e sua representação na mídia. Ele é um membro ativo da comunidade com deficiência e esteve na direção de uma série de diferentes organizações do movimento das pessoas com deficiência, incluindo algumas que prestam serviços diretos e grupos de campanha.

Título da Comunicação: Os estudos sobre a Deficiência no Brasil e no mundo, uma avaliação do I Simpósio Internacional de Estudos sobre a deficiência e as perspectivas para o futuro.

Resumo: Síntese e avaliação geral do evento, tendo em face de condição atual dos debates acerca dos chamados Disability Studies na atualidade.

 

Pamela Block - Stony Brook University / New York

Cientista social, antropóloga cultural por formação, que contribui com estudos organizacionais, pesquisa baseada na comunidade e estudos sobre a deficiência ao Programa de Terapia Ocupacional da Faculdade de Tecnologia e Administração da Saúde. Dentro da ampla categoria de estudos sobre a deficiência, dedicou os últimos 17 anos a três grandes áreas interrelacionadas em nível individual, organizacional e comunitário: Barreiras Sócioambientais, Construção de Capacidades / Empoderamento, e Promoção da Saúde. Possui um foco metodológico qualitativo nas áreas da pesquisa e prática etnográfica, colaborativa, baseada na comunidade, organizacional e participativa. Já teve pesquisas financiadas pelo NIDRR, NIH e NMSS.

Título da comunicação: Biossociabilidade, Cidadania Biológica e Identidade Autista no Brasil

Resumo: A identidade autista no Brasil e em outros lugares do mundo proporciona um exemplo da emergente biossociabilidade / cidadania biológica. Conceituações do autismo também já foram formadas por diferenças histórias, políticas, sociais e culturais, tais como etnicidade, gênero, idade, status socioeconômico e origem nacional. Conceituações biomédicas definiram o conceito do autismo desde meados do século XX, mas o foco principal desta apresentação será o crescimento dos movimentos de defesa formados pelos pais de crianças com autismo – com início nos anos 1980 – e movimentos de cidadania autista centralizados nas ideias de neurodiversidade e Orgulho Autista – iniciados no começo dos anos 2000.