Manifesto em defesa do Direito a Memória e a História

Abaixo-Assinado (#37050):

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O IPN NÃO PODE FECHAR
Destinatário: Vereadores da Câmara Municipal do RJ

 

Manifesto em defesa do Direito a Memória e a História

A ameaça feita pelo Estado do Rio de Janeiro em fechar o Cemitério dos Pretos Novos com consequências sérias à preservação do Cais do Valongo que se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade é revelador do descaso sobre a história dos Negros no Brasil. Ao apagar provas da imensa violência perpetrada sobre a população trazida à força, no século XIX, para torná-los escravos, num momento em que a escravidão era considerada uma chaga a ser extirpada, nas formas de violação imposta a povos do continente africano, ao longo do processo da expansão colonial europeia sobre o planeta. Fragmentos da violência foram descobertos numa casa de pessoas comuns, há mais ou menos 20 anos e podem ser destruídos, apagando histórias e impedindo memórias de multidões de pessoas trazidas do Benin, na África para serem escravos. Discutir a desigualdade do registro e da difusão da memória social, com índice da opressão das imensas levas de trabalhadores, destroem as tentativas de Dona Merced e seu marido, em tornar uma residência particular um lugar de memória, pela descoberta numa reforma a ser realizada em sua moradia, da existência de centenas e milhares de ossadas de crianças, e adultos colocados numa vala comum num tempo de opressão e violação dos corpos. Essa desigualdade está inscrita em relações comunicacionais interpessoais, institucionais e de ocultamento de histórias que surgiram no espaço urbano e que estão ameaçadas mais uma vez. O fechamento do Cemitério dos Pretos Novos, e por consequência do Cais do Valongo, será mais uma das formas de negar a história da Pequena África do Rio de Janeiro, marca fundamental de como os negros e negras têm direitos antigos de habitarem e de serem acolhidos e respeitados nessa cidade, pois foi desse esforço que custou milhares de vidas que a Cidade se ergue e prossegue forte na luta pelo Direito a Memória e a Cidade. Mais uma vez, esses seres humanos que teimosamente lutam contra os poderes constituídos que teimam em querer apagar esse passado tenebroso.

Prezados vereadores, façam cumprir o Artigo 175 da Constituição brasileira:

Art 1º Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que nêles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público
c) os sítios identificados como cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeiamento, "estações" e "cerâmios", nos quais se encontram vestígios humanos de interêsse arqueológico ou paleoetnográfico;

Somos todos Valongo!
Somos todos Negros!
Somos todos defensores da permanência do Instituto dos Pretos Novos e do Cemitério!
Somos defensores intransigentes do Direito a Memória e a História!

São Paulo, 11 de Agosto de 2017.

Zilda Márcia Grícoli Iokoi
Profa. Titular da Universidade de São Paulo

Pesquisadores
Felipe Bottini
Lucas Sambugaro
Matheus Tonon Ronchi

 

Campanha pelo Instituto dos Pretos Novos - Diversitas: https://www.youtube.com/watch?v=YrXUgUNyUVE

 

AnexoTamanho
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