Projeto “Intolerância e Resistência: Memórias da Repressão política no Brasil (1964-1985)

Acervo Audiovisual - Memórias sobre a ditadura militar no Brasil a partir de 80 depoimentos de presos políticos do período entre 1964 e 1985. O objetivo foi recuperar os testemunhos de um momento da vida política do país extremamente violento nas relações entre o Estado autoritário e a sociedade civil. Assim como nos diferentes países da América Latina, há a necessidade da produção de documentos históricos relativos à memória de períodos dominados pela repressão e pela censura, tanto na perspectiva de um acerto de contas com o passado, como para a garantia da democracia, uma vez que a recuperação do passado pode contribuir para a consolidação de um novo código de ética na política.

No Brasil e em vários países da América Latina, após os golpes ocorridos na década de 1960, a tortura foi utilizada sistematicamente pelos governos autoritários. Práticas como a dos desaparecimentos forçados não foram casos isolados, mas parte de um sistema aparelhado de repressão política. A radiografia dos atingidos pela violência do Estado ainda não está concluída, mas podemos dizer que milhares de pessoas foram presas somente nos primeiros meses da ditadura no Brasil; muitas foram submetidas a torturas físicas; por volta 400 foram assassinadas ou consideradas como "desaparecidos" políticos. No âmbito da Justiça, foram aproximadamente 8 mil citados, mais de 11 mil indiciados em cerca de 800 processos judiciais por crimes contra a segurança nacional; centenas de condenações à prisão; 4 condenações a pena de morte (embora não executadas); 130 banimentos; centenas de camponeses assassinados; 780 cassações de direitos políticos por dez anos com base em ato institucional; incontáveis e arbitrárias reformas, aposentadorias e demissões a bem do serviço público e milhares de exilados (ver Teles, Janaína de Almeida. Os herdeiros da memória. A luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos por ’verdade e justiça’ no Brasil. Mestrado/História Social-FFLCH-USP, 2005, p.10.).

Acreditamos que o acervo de depoimentos coletados constitui fonte primária inestimável para novas pesquisas, não só qualitativas, mas também quantitativas, pois será possível extrair dos relatos uma série de dados estatísticos como por exemplo, dados sobre ocupação profissional, sexo, idade, origem familiar e outros dos entrevistados e, assim, traçar um perfil mais aprofundado dos sobreviventes do período ditatorial.

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