Juliana Ribeiro Brandão

Tratando de representações sociais relacionadas à experiência de acesso à justiça junto a assistidos pela Defensoria na área cível, o estudo se volta à reflexão dos significados produzidos nesse acesso. A coleta de dados de base qualitativa foi orientada pela teoria das representações sociais e pela técnica da análise de conteúdo. Conjugando a pesquisa empírica com pressupostos teóricos radicados, sobretudo nos direitos humanos e na teoria do reconhecimento, propõe-se a investigar em que medida a Defensoria é percebida como uma instituição que proporciona o acesso à justiça.

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Juniele Rabêlo de Almeida

Este trabalho propõe um estudo sobre o ciclo de movimentos reivindicatórios dos policiais militares brasileiros, ocorrido ao final do primeiro semestre do ano de 1997. As manifestações dos praças da Polícia Militar de Minas Gerais se tornaram um estandarte tático para a ação coletiva dos PMs de diversas localidades do território nacional. Quatorze estados integraram o ciclo nacional de protestos: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul; e, sem movimento organizado, São Paulo e Rio de Janeiro. Narrativas, em história oral de vida, revelaram o diálogo entre as especificidades regionais e uma cultura policial militar nacionalmente constituída. Múltiplas questões, para o estudo da história dos movimentos sociais e da segurança pública no Brasil, foram problematizadas por meio de quatro redes de análise que indicam o repertório da ação coletiva policial militar: 1ª rede) Policiais militares de Minas Gerais: o início do ciclo de protestos; 2ª rede) Policiais militares de Alagoas, Ceará, Pernambuco e Pará: conflitos armados e ameaças; 3ª rede) Policiais militares da Paraíba, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: acampamentos e negociações; 4ª rede) Policiais militares do Rio Grande do Sul, Piauí, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro: manifestações disciplinadas e articulações políticas à margem do ciclo de protestos. A crise policial militar brasileira representou conjuntura em que elementos próprios da corporação se desgastaram, mas não o suficiente para minar as bases institucionais. O trabalho indica possíveis conexões entre uma cultura policial militar, expressa pelos pilares militarizantes referentes a valores e normas institucionais, e preceitos relacionados à democratização que se passa nas sociedades contemporâneas.

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Karina de Oliveira Lima

A presente pesquisa investigou sobre e emergência do menor no período de 1889-1927. Utilizou-se como métodos de pesquisa a revisão bibliográfica sobre o tema e a pesquisa de fontes primárias. As ideias de Foucault sobre sociedade disciplinar, poder, saber governamentalidade, arqueologia e genealogia permitiram a análise dos autos encontrados sobre o menor evidenciando-se relações de poder e o processo de sujeição do menor pelo trabalho e pela educação. Constatamos, assim, como já apontado por autores estudiosos do tema que o trabalho e a educação constituíram-se elementos centrais nas políticas públicas dirigidas para o menor desde o período estudado até os dias de hoje.

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Kátia Cristina Kenez

Nesse trabalho, aborda-se a maneira como os libertários brasileiros, por meio de sua postura internacionalista, criticaram o patriotismo e desprezaram o nacionalismo no contexto da Primeira Guerra Mundial, contrariando o caráter nacional de uma elite, colocando-os em termos inconciliáveis com a ideologia da classe dominante, num momento de busca de hegemonia e formação da idéia de nação. O anarquista foi representação do nocivo, sofrendo a repressão policial e jurídica, em prol da segurança nacional, durante e após os anos da Guerra. Assim, a repressão que, inibia principalmente uma ação operária de caráter revolucionário, traduziu-se por uma ação autodefensiva das forças repressoras. O anarquista tornou-se um inimigo social na lógica do poder constituído na Primeira República, quando se privilegiava a polícia civil pela manutenção da ordem social e moral, sem que fossem concretizadas políticas de justiça social, optando-se pela repressão a seus grupos e prisão e expulsão de seus militantes ou simpatizantes, inibindo a ação revolucionária. O movimento operário, neste contexto dos anos de 1917 e 1919, nos permite o entendimento de que a responsabilidade da exploração do trabalho, no período analisado, foi diluída com a concepção de que o operariado carecia de leis protecionistas. Discute-se como a ignorância sanitária nos remete a compreensão da diluição dos apelos deste operariado, que foram destituídos de um potencial reivindicatório. Aos trabalhadores é imputado   uma incapacidade crítica e consciente de articulação de suas próprias demandas, passando a serem cunhados pela grande imprensa como massa de manobra dos apelos anarquistas

 


 

Kimiye Tommasino

Este trabalho reconstitui a historia dos kaingang da bacia do rio tibagi da metade do século passado, ate os dias atuais. Esta historia permite detectar as estratégias, formas e conteúdos das relações estabelecidas entre as sociedades indígenas e os colonizadores, numa continua afirmação de seu modo de ser. O resgate da historicidade/etnicidade kaingang permite uma outra compreensão da sociedade paranaense e a real natureza do processo de colonização ocorrida neste século, colonização essa feita invariavelmente sobre territórios indígenas. A matéria prima para a reconstituição foram os documentos de missionários, diretores e viajantes, documentos do SPI, FUNAI e outras instituições, da bibliografia cientifica sobre essa sociedade Jê meridional, depoimentos dos kaingang mais velhos e de nossa pesquisa de campo.

 


 

Lídice Meyer Pinto Ribeiro

O presente trabalho é o resultado da pesquisa de campo e posterior análise do sistema religioso encontrado num bairro rural presbiteriano, localizado num vale do Município de Maria da Fé, no sul de Minas Gerais: São João da Cristina.Tendo o presbiterianismo chegado ao vale desde 1895, quando ainda não havia um bairro propriamente formado, mas apenas algumas fazendas, a Igreja Presbiteriana tornou-se um dos elementos primordiais da conformação física, histórica e social do bairro em formação, dando a este, características marcantes e diferenciadoras dos demais bairros rurais e católicos da mesma região. Com base nos pressupostos de autores clássicos que ingressaram nos caminhos dos sistemas classificatórios e do pensamento mágico e de pesquisadores modernos que re-interpretaram estes teóricos, contextualizando-os ao sistema de campesinato brasileiro, estudou-se os sistemas classificatórios com relação às plantas, os animais, astros celestes, espaços físicos e sociais, e o mundo religioso e sobrenatural, relacionando-os com a vida diária do camponês protestante, demonstrando como o pensamento religioso dos moradores de São João da Cristina extrapola os limites da igreja para se permear em todo o seu meio circundante. Buscou-se desta forma, estabelecer as relações entre o sistema classificatório mágico-religioso encontrado na sociedade caipira com o sistema religioso oficial urbano, procurando decodificar o sistema religioso existente no ambiente rural de São João da Cristina, desvendando o real sentido de suas práticas e crenças religiosas, fornecendo subsídios para futuros estudos acerca do protestantismo rural em outras localidades do Brasil.

 


 

Lourival dos Santos

O objetivo desta dissertação é propor uma história da produção de "santinhas" - estampas impressas de Nossa Senhora Aparecida. Em termos de espaço temporal, considerei como marco básico a primeira "imagem oficial" mandada imprimir na França, pelo bispo D. Antônio Joaquim de Melo em 1854. O ano de 1978, quando a imagem foi reconstruída por técnicos no Museu de Arte de São Paulo (MASP), foi assumido como o limite contemporâneo por significar a dimensão pública do afeto à Padroeira do Brasil. O enegrecimento da Imagem nas estampas corresponderia à incorporação oficial do povo nos altares da Igreja. A cor dos escravos tornou-se a mesma da Mãe de deus no Brasil. Desse pressuposto derivou minha principal hipótese: as estampas da"Aparecida" traduziriam para os fiéis a estratégia de popularização do discurso da Igreja Católica brasileira, que procurava atender à demanda do consumo de imagens de seus fiéis, repetindo a prática do Catolicismo de atrair seguidores com imagens multiplicadas por meio de máquinas. Concomitantemente, o uso ampliado dessas imagens implicaria a formulação de uma nova linguagem comunicativa na qual os valores da prática religiosa católica estariam sendo ampliados popularmente. Ao mesmo tempo integrava-se na discussão política questões que ampliavam o papel do Catolicismo popular na cultura nacional brasileira.

 


 

Lucia Cavalieri

Esta pesquisa tem por objetivo entender como ocorre o processo contraditório da reprodução social das comunidades rurais à luz de uma análise das práticas cotidianas e das estratégias de reprodução social da família do migrante, cortador de cana do Vale do Jequitinhonha. Os homens migrantes vivem ora mais próximos da condição camponesa, ora sorvidos como proletários na cana. Não se realizam plenamente em nenhuma das duas condições. No território da cana estão proletários; no território camponês não têm mais terras para o trabalho e a família não conta com os homens em suas práticas cotidianas. Esses camponeses-migrantes encontram-se na margem. A pesquisa de campo se realizou em duas comunidades rurais: Alfredo Graça e Engenheiro Schnoor localizadas no município de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. Estas comunidades têm algumas características comuns: a migração dos homens para o corte de cana em São Paulo e uma série de custos imputados à família, em especial às suas mulheres. Nosso interesse consiste em entender como esse sujeito, na condição de camponês-migrante, perdura no tempo e quais são as fissuras que essa condição provoca em sua família e em seu território.

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Luís Felipe Silvério Lima

Esta tese analisa as narrativas de sonhos proféticos no Portugal Moderno, entre 1600 e 1750. Investigou-se como se constituíram os principais temas oníricos, os corpos de sonhos mais citados e recorrentes, as interpretações e leituras de sonhos bíblicos e/ou de divulgação ampla. Procurou-se perceber quais os entendimentos e percepções de sonho (e profecia) que embasavam e estavam presentes nas narrativas oníricas portuguesas, observando o repertório de referências e textos oníricos e a circulação desses. Partindo da constatação que as narrativas oníricas participaram de modo capital na fundamentação do Sebastianismo e depois do Messianismo Brigantino, observou-se os imbricamentos dos sonhos com esses movimentos e crenças messiânico-proféticas, buscando entender os diversos projetos político-proféticos em e para Portugal durante esse período.

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Luís Fernando de Matheus e Silva

A Serra Gaúcha, localizada na região nordeste do Rio Grande do Sul, desde o início do século XX, é tida como a maior e mais conceituada área produtora de uva e de vinhos do Brasil, mais especificamente os municípios de colonização italiana antiga como Antonio Prado, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi, Flores da Cunha e Monte Belo do Sul. Nos últimos trinta anos, uma série de mudanças afetou o mercado de vinhos, tornando-o mais competitivo e internacionalizado, levando as empresas aí instaladas a valorizar aspectos de sua produção que as diferenciassem e mantivessem sua posição de destaque no mercado nacional. Acompanhando uma tendência verificada em escala mundial, foram valorizados aspectos naturais ou aqueles que dizem respeito à cultura e/ou à tradição de origem italiana, característicos da região. Essa valorização do local e de suas particularidades, promovida num contexto de globalização neoliberal do capitalismo, contribuiu para que a área produtora de uva e de vinhos da Serra Gaúcha fosse fetichizada, o que resultou numa maior importância do turismo, que, neste momento e naquele lugar, passou a exercer um papel-chave, azeitando as engrenagens e ajudando no bom funcionamento do motor do capital. Vinícolas, poder público, camponeses, etc. passaram a enxergar no turismo, uma possibilidade de ampliar seus lucros ou rendimentos. Dessa forma, à partir do legado cultural transmitido pela imigração italiana, ao lado dos parreirais, vinícolas, fábricas e pequenas propriedades camponesas, o espaço agrário da área de produção vitivinícola da Serra Gaúcha recebeu a instalação de diversos roteiros turísticos, hotéis, pousadas, restaurantes e demais estruturas ou serviços voltados aos visitantes, transformando o caráter original daquele lugar - que passa a articular-se com os centros urbanos não somente como fornecedor de gêneros agrícolas, mas, agora também, como destinação turística.

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