Carina Inserra Bernini

A presente pesquisa aborda o processo de construção do assentamento agroambiental PDS Alves, Teixeira e Pereira, localizado no bairro do Guapiruvu (Sete Barras-SP), a partir da análise do processo de redefinição dos usos da terra e da floresta nesse território. Para isso, analisa as diferenças de interesse quanto ao uso da terra e da mata do assentamento existentes entre os grupos (comunidade, associação local e Estado) envolvidos na construção do mesmo e os fundamentos de tais diferenças. A pesquisa se apóia em extenso trabalho de campo, desenvolvido com base na observação participante e em entrevistas abertas, além de levantamento bibliográfico e documental. Localizado no Vale do Ribeira-SP, o bairro do Guapiruvu é vizinho ao Parque Estadual Intervales, Unidade de Conservação de Proteção Integral. Após 40 anos de luta pela terra, a comunidade do Guapiruvu teve os seus direitos sobre a terra reconhecidos, porém sob a condição de vê-la transformada em um assentamento agroambiental e, com isso, tem tido que se submeter a novas orientações e restrições em relação aos sistemas agrícolas e de manejo adotados. A combinação entre luta pela terra e ambientalismo mostrou-se decisiva para assegurar a permanência da comunidade em seu território. Mas a relação entre a espacialização das políticas agrárias e ambientais, que se desdobram no Plano de Desenvolvimento Sustentável do assentamento, e a territorialidade dos assentados desencadeou novas contradições e desafios que se somaram a outros já existentes. Esta situação tem revelado a necessidade de refletirmos sobre os limites apresentados pela solução da questão agrária pela via ambiental. Tal procedimento desloca do centro do embate político a questão da terra, conflito em torno do qual delimitam-se claramente diferentes posições de classe, e a submete à ideologia ambientalista. Neste contexto, a comunidade camponesa do Guapiruvu passa a ter o dever de assegurar o manejo sustentável de seu território, segundo parâmetros definidos externamente, em nome do interesse geral da sociedade, enquanto continua a ser assegurada aos capitalistas a liberdade para degradar a natureza em outras áreas.

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Carlos Eduardo Frankiw de Andrade

A presente pesquisa tem por objeto a agitação política e social desenvolvida pela militância anarquista paulistana em torno de duas campanhas em que a mesma tomou parte entre os anos de 1909 e 1916: a campanha contra o Orfelinato de Artes e Ofícios Christóvam Colombo e a campanha em favor da construção das Escolas Modernas em São Paulo. Tendo por fonte documental os registros tecidos pela participação da militância anarquista envolvida na produção coletiva do periódico A Lanterna ao longo destes anos, este estudo teve como objetivo constituir uma leitura acerca dos cernes de sociabilidade desenvolvidos e instigados em meio a suas manifestações diretamente relacionadas à questão educacional no Brasil destes anos. Nos artigos e reportagens coletivamente construídos e disseminados por A Lanterna sobre as duas campanhas, foram encontrados e delineados indícios diversos que apontam para uma multifacetada e singular constelação de aspectos políticos, sociais e culturais de resistência, crítica e transformação da realidade em que viviam. A partir dos registros de uma coletiva construção e difusão de saberes e práticas por meio do incentivo à adoção de sociabilidades especificamente adaptadas às circunstâncias de suas agitações, forjaram-se instrumentos tanto para a denúncia dos aspectos ideológicos do discurso dominante vigente quanto para a experimentação de seus ideários utópicos em meio ao mundo em que viviam. No uso desses instrumentos, esta pesquisa pôde perceber uma clara preocupação com a coerência entre meios e finalidades nos saberes e práticas desenvolvidas por estes militantes.

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Cássia Milena Nunes Oliveira

Este trabalho propõe um estudo sobre a juventude do assentamento Dom Pedro Casaldáliga, localizado na cidade de Cajamar próxima à cidade de São Paulo, e que integra a Regional Grande São Paulo do MST. O texto se divide em quatro capítulos. O primeiro apresenta a História do projeto e a contextualização histórica do surgimento de um assentamento rural próximo à região metropolitana de São Paulo com a participação de pessoas provenientes do meio urbano. O segundo traz as narrativas produzidas a partir de entrevistas realizadas em colaboração com seis jovens do assentamento sob os preceitos teóricos e metodológicos da História Oral. E por fim, buscou-se desenvolver a análise e a conclusão com base nas experiências desses jovens, expressas nas narrativas de suas histórias de vida, sugerindo alguns dos benefícios e obstáculos para a permanência deles na área conquistada.

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Cassiana Buso Ferreira

Este trabalho refere-se aos saques e quebra-quebras deflagrados na capital paulista nos dias 4, 5 e 6 de abril de 1983. A partir do exame de reportagens, notícias, artigos, editoriais, cartas de leitores, propagandas e comunicados pagos veiculados nos jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, entre 5 e 10 de abril, procurou-se identificar e analisar as representações desses acontecimentos nas diferentes esferas do poder e da sociedade. Para tanto, considerou-se os protestos populares no contexto social, político e econômico em que estavam inseridos movimentos sociais organizados nas periferias de São Paulo ao longo da década de 1970, o processo de abertura política e a crise recessiva. Buscouse ainda compreender o significado das ações diretas como formas de luta reivindicatória e a potencialidade reveladora e transformadora das rebeldias sociais.

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Cátia Pereira dos Santos

A urbanização é um processo que atinge grande parte do território brasileiro e que assume feições distintas conforme as especificidades de cada lugar. Estudar tais feições é uma forma de se compreender um pouco mais a dinâmica desse processo tão complexo e heterogêneo.Itaperuna, situada no interior do estado do Rio de Janeiro, é uma cidade que se formou com base na expansão da cafeicultura. Por cerca de cinco décadas, a economia do município de Itaperuna esteve baseada nessa atividade. Situação que vai começar a se alterar com as repercussões da crise econômica mundial de 1929 na economia local.A partir daí, outras atividades, também ligadas ao campo, como a rizicultura e a pecuária leiteira, foram se desenvolvendo, enquanto a cafeicultura ia perdendo importância.Em meio às mudanças que vão ocorrendo no campo, a cidade vai se constituindo e se transformando, enquanto avança o processo de urbanização.Assim, este trabalho analisa as feições assumidas pelo urbano numa cidade com forte influência do meio rural. Nesse exercício, o bairro, sendo um espaço onde se desenvolvem relações imediatas diretas, apresenta-se como um nível de análise fundamental para a compreensão do urbano que lá se formou. O bairro reproduz numa escala menor, a forma particular como se dá o encontro do rural com o urbano que se materializa na cidade de Itaperuna.

 


 

Cirlene Jeane Santos e Santos

A pesquisa ora apresentada tem como temática principal a análise das estratégias de reprodução camponesa desenvolvidas pelos grupos de Fundos de Pasto localizados no município de Oliveira dos Brejinhos (BA), com uma detida análise desse processo no Fundo de Pasto Várzea Grande. A reprodução social destes grupos foi fortemente afetada pelo movimento contraditório desencadeado pelos conflitos vivenciados por eles a partir do final de 1960, o que impulsionou sua consciência de classe no transcorrer das lutas pelo bode solto e da luta na/pela terra. Essa consciência foi mobilizada na defesa dos costumes e das práticas tradicionais que regulavam a vida dos/nos grupos. É nesse movimento que se estruturam as condições de transformação desses camponeses enquanto sujeitos políticos, condicionados a uma conjuntura histórica circunscrita e particular, ao mesmo tempo em que os insere em um caleidoscópio de possibilidades e de caminhos a partir daquele momento em diante: da superação da opressão exercida pela sociedade em geral à expansão do capital mercantil regional no interior dos grupos. É abordado o processo histórico de instituição das terras de uso comum na Bahia com ênfase no pastoreio comunitário de caprinos no sertão do estado. Também são examinados a organização socioespacial do grupo, seu modo de vida, as relações de parentesco e vizinhança, os mecanismos de produção, circulação e consumo estabelecidos e a sua rede de sociabilidade. Evidencia ainda, o papel da migração como estratégia de reprodução camponesa nos fundos de pasto, considerando o ficar e o envelhecimento dos que permaneceram na terra; o partir e o absenteísmo nas propriedades; e o retornar, como um dos motivadores da diferenciação social no interior do grupo. Por fim, explora a questão do ser ou não ser camponês e busca contextualizar a tragédia dos comuns nos tempos da precarização do trabalho e da inserção do fundo de pasto na ciranda do capital mercantil regional.

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Cláudia Delboni

Este trabalho analisa a trajetória do Grupo Mulheres da Terra, cuja formação ocorreu na área II do Assentamento de Sumaré, no ano de 1985, no Estado de São Paulo. O grupo possui um percurso histórico de 22 anos, na perspectiva de conquistas sociais garantidas na Constituição aprovada em 1988 - terra, trabalho, moradia, educação, transporte, saúde e eqüidade nas relações de poder entre homens e mulheres. Estes foram temas que nortearam suas ações, que engendraram conquistas para todos os membros do assentamento. O percurso da pesquisa conduziu-nos ao encontro de vários atores sociais, envolvidos em diversas estratégias de resistência e circunscritos às ações de inúmeros mediadores sociais, empenhados na defesa da reforma agrária. Ao longo de duas décadas, inúmeros projetos foram desenvolvidos entre o Grupo Mulheres da Terra e os agentes mediadores. Muitos encontros e desencontros aconteceram pelo caminho. Para compreender o papel da trajetória do Grupo na história do assentamento e nas relações de gênero dentro do mesmo, como percurso de movimento social que se consagrava como espaço da luta pela terra, tomamos a História Oral de Vida das mulheres que participaram da trajetória do Grupo Mulheres da Terra da área II do assentamento de Sumaré como uma das fontes privilegiados de nosso estudo.

 


 

Cláudia Maria Costa Alves

0 objetivo deste estudo foi o de demonstrar como um conjunto de práticas que se vincularam à atividade militar no exército imperial contribuíram para a geração de um grupo de intelectuais militares que se tornaram sujeitos da ação política nadécada final do Império do Brasil. Tínhamos por pressuposto que o ensino ministrado na Escola Militar, pelo conteúdo que reunia formação científica e literária, como fundamento do conhecimento técnico militar, proporcionou a base intelectualpara a ação política. Ele seria, entretanto, insuficiente. Por isso, foi fundamental sua associação ao exercício prático de direção oportunizado pelas funções que uma parte dos oficiais foi chamada a assumir no interior da corporação. 0 trabalhointelectual adquiriu, para este segmento da oficialidade, um caráter de construção social, distinto do caráter ornamental que possuía para outros grupos da sociedade imperial.0 lugar destinado ao exército brasileiro naquela sociedade, vinculadoà necessidade de modernização imposta aos exércitos profissionais que se organizaram no ocidente, no século XIX, levou-o a incorporar atividades de produção industrial, de produção de conhecimento e de escolarização. Delimitou-se, dessa forma,no Estado Imperial traspassado pela força do poder local, um campo de experiências aliadas à construção de espaços de modernização e de vivência de realização do Estado Nacional. A partir dos interesses e práticas internos à corporação, foi-seelaborando um discurso que   configurou um projeto capaz de aglutinar uma parte da corporação, calcado no exercício da ) argumentação e do confronto com o próprio poder de Estado. Mesmo minoritário, o segmento da oficialidade que - para além das diferenças de patentes, de armas, de formação, de postos, de posições filosóficas e de filiaçõespartidárias - foi capaz de construir uma unidade de pensamento e ação, apoiada sobre os interesses fundamentais da corporação, tornou-se dirigente, dando o tom dos acontecimentos que envolveram o exército na década de 1880.

 


 

Claudia Moraes de Souza

A década de 50, no Brasil, apresenta os elementos fundantes de uma nova reconfiguração do Estado que se realiza pelos processos resultantes tanto da crise da oligarquia agrário-exportadora como dos novos elementos oriundos da articulação do capital nacional com a internacionalização dos processos produtivos no pós-guerra. Ao Estado Nacional, cabia o papel de adaptar as instituições e o espaço nacional às novas características da acumulação do capital mundial. Na perspectiva de promover a expansão do capital pelo território e se deparando com o "atraso" de determinadas regiões, ou melhor, diante da Questão Regional, o Estado populista atuou no sentido de apresentar Questões Nacionais que pudessem, ao mesmo tempo,encobrir desigualdades e contradições, efetivar seu papel de gerenciador, e ainda, atuar sobre a desigualdade territorial. A Questão Educacional, neste momento, foi eleita Questão Nacional. Supunha-se que a Nação, apenas atingiria sua maturação e conseqüente modernização quando a Educação tivesse atingido a todos os cidadãos. O Estado, a Igreja e a sociedade civil elaboraram diferentes formas de intervenção sobre esta Questão. A Educação de Base e a Educação de Adultos, segundo estatística, traria resoluções aos impasses relacionados à modernização, industrialização e urbanização crescente do país. Este trabalho propõe a discussão das relações entre instituições políticas do Brasil contemporâneo e a Educação. Tese de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, sob a orientação da Profa. Dra. Zilda Márcia Grícoli Iokoi.

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Cláudia Moraes de Souza

Em Pelas Ondas do Rádio: Cultura Popular, Camponeses e o MEB analisamos a participação de camponeses do nordeste brasileiro no Movimento de Educação de Base. A perspectiva da tese é a de demonstrar como os trabalhadores envolvidos com as escolas radiofônicas elaboraram ações para manutenção e reprodução da escola em sua comunidade, visando obter os benefícios necessários à reprodução e melhoria de seu modo de vida. A partir de representações políticas e culturais singulares, dentre as quais vigoraram: um sentido para escola, um papel para o sindicato e para participação política, preceitos do direito de uso da terra e dos direitos do trabalho, assim como, sentidos múltiplos para o uso do rádio como meio de comunicação, informação e lazer, os camponeses do MEB, foram coadjuvantes da proposição católica modernizadora de inícios de 1960. Isto posto, queremos demarcar que a ação do camponês nordestino e seu engajamento político, seja no MEB, nos sindicatos rurais, nas Juventudes Agrárias Católicas (JAC´s), no MCP, e nas mais diversas instâncias dos movimentos sociais do período, não se apartaram do processo modernizador. Neste sentido, consideramos que se a modernização brasileira foi pauta das instituições, organismos políticos e partidos, no movimento social, ela foi pauta de reivindicações baseadas em elementos da vida material, que envolviam diretamente, naquele momento, a questão agrária, a questão educacional e cultural e as questões do trabalho.

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