Xênia de Castro Barbosa

Esta pesquisa propõe um registro de aspectos da experiência de vida de duas famílias: uma que reside em Porto Velho e outra que tem membros em São Paulo e Itapecerica da Serra. Dentre a complexidade de suas experiências, procuramos analisar suas lutas por moradia, percepções da cidade e o ordenamento de seus projetos familiares. Para isso realizamos três anos de trabalho de campo, registramos e analisamos suas histórias de vida, elaboradas mediante procedimentos e noções da história oral. O texto está organizado do seguinte modo: Parte I: Apresentação, História do Projeto, Considerações sobre o Corpus Documental, sobre o Tema da pesquisa e a Leitura em história oral; Parte II: Narrativas de uma família de São Paulo, na qual apresentamos 10 histórias de vida de familiares e agregados que se consideram pertencentes a essa família, e Narrativas de uma família de Porto Velho, em que expomos seis histórias de vida de integrantes daquela família; Parte III: Leitura e Interpretação, na qual analisamos as histórias de vida apresentadas no capítulo anterior.

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Yamila Goldfarb

Esta pesquisa teve por objetivo analisar o processo de constituição de uma nova forma de assentamento proposta pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no estado de São Paulo, denominada Comuna da Terra, situada em áreas nas proximidades de grandes centros urbanos, buscando identificar no que ela difere de outras formas de assentamento, no sentido de sua organização interna, e qual a sua contribuição para o avanço da luta por reforma agrária e para o desenvolvimento social e econômico brasileiro. O discurso de intelectuais e parcela do governo de que a reforma agrária não seria mais necessária; a crescente importância atribuída ao agronegócio no país, seja pela política econômica seja pela mídia; e a mudança no caráter do sujeito social da reforma agrária em determinadas regiões, foram alguns dos fatores que levaram o MST a formular essa proposta de assentamento. Para compreender a Comuna da Terra foi imprescindível analisar a questão do sujeito social da reforma agrária. Para tanto, foi necessário compreender os processos migratórios no Brasil, e mais especificamente no estado de São Paulo bem como a crescente importância da migração de retorno. Analisamos então o processo histórico que envolve os grandes centros urbanos e as vidas das classes subalternas que aí se encontram, envolvidas num processo de migração e deslocamento constantes. Analisando os projetos de vida dessa população e o projeto político do MST de constituição das Comunas da Terra, como elemento de uma nova concepção de reforma agrária, pudemos perceber que essa proposta aponta para um novo projeto de desenvolvimento para o campo, no qual elementos do urbano sejam incorporados. Ao questionar os rumos da política agrária, ao reivindicar um novo modelo de desenvolvimento para o campo, ao propor a união de movimentos rurais e urbanos, o MST acaba por colocar em debate um novo modelo de desenvolvimento também para o Brasil. A Comuna da Terra é elaborada com a proposta de ser uma forma de assentamento em que haja infra-estrutura, acesso à informação, tecnologia etc. Em que haja também uma organização espacial que propicie uma maior centralidade. Enfim, a Comuna da Terra é elaborada de forma a ter um caráter mais urbano que os assentamentos convencionais. No entanto, ela não se enquadra como espaço urbano/rural a partir de imprecisões ou transições. Não constitui um espaço em transição do rural para o urbano. É um espaço que se propõe a ser rural, posto que de reprodução do modo de vida camponês, e urbano, ou com elementos do urbano, posto que demanda os benefícios que a urbanidade criou ao longo dos séculos.

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Yara Adario Frateschi

Aristóteles e Hobbes fundamentam a moral e a política na natureza humana em bases independentes da associação política entre os homens. No entanto, ambos sustentam visões distintas acerca da natureza humana por conceberem de maneiras distintas a natureza em geral. Em particular, divergem radicalmente na caracterização do papel da razão. Derivam daí duas concepções opostas das relações entre a natureza e a sociedade política.

 


 

Yara Adario Frateschi

Esta dissertação trata da maneira como Hobbes expõe em sua filosofia política a importância da conformidade das opiniões dos súditos com a obediência civil. O primeiro capítulo incide sobre a relação entre as ações e as opiniões dos homens. Veremos de que modo as ações derivam das opiniões e por que a formação destas últimas é um aspecto fundamental da tarefa do soberano civil. Procuramos traçar, em primeiro lugar, os pontos comuns relativos à esta questão nas três obras políticas de Hobbes: no Elemento da Lei, no Do Cidadão e no Leviatã. Em seguida, mencionamos alguns aspectos que diferenciam o Leviatã das obras anteriores. O segundo capítulo versa sobre a crítica feita por Hobbes à dominação das opiniões dos súditos exercida pelo clero em um Estado cristão. Para isto nos ateremos às terceira e quarta partes do Leviatã. Veremos, em primeiro lugar, quais são as doutrinas do clero prejudiciais para a paz. Em segundo lugar, veremos como Hobbes as combate e quais são as soluções por ele apresentadas para evitar que o clero estabeleça o controle das opiniões dos súditos desviando-os da obediência civil. Finalmente, no terceiro capítulo procuramos mostrar que a popularização das questões políticas ocorridas ao longo da década de quarenta é um fator que deve ser levado em conta quando nos perguntamos sobre as razões de algumas diferenças operadas no Leviatã em relação às obras políticas anteriores. A intensa preocupação com a formação das opiniões dos súditos em geral, a  expectativa de ampliação da audiência e a aceitação e emprego da eloqüência - característicos do Leviatã - devem ser vistos à luz da efervescência política e intelectual ocorrida durante os anos que separam o Leviatã do Elementos da Lei e do Do Cidadão.