Andréa Monteiro Uglar Pessoa

Aproveitando-nos da aproximação entre Filosofia e Literatura, sem que necessariamente haja ou intente-se uma identificação entre a obra romanesca e a teoria filosófica, pretendemos efetuar uma análise dos contos do filósofo francês Denis Diderot: Mistificação, Os dois amigos de Bourbonne, Isto não é um conto, Mme de La Carlière - também conhecida como Sobre a inconseqüência do julgamento público de nossas ações particulares - e Suplemento à viagem de Bougainville - ou Diálogo entre A e B - Sobre o inconveniente de atribuir idéias morais a certas ações físicas que não as comportam. Esta análise dar-se-á no interior da concepção materialista e naturalista do filósofo, buscando evidenciar a reflexão moral e a crítica aos dogmas religiosos e morais contrários à natureza

 


 

Antonio Carlos da Paz Santana

A partir do sistema agrícola, buscou-se compreender como os agricultores de pequenas unidades organizam sua produção e como ela é subordinada aos mercados. O estudo foi realizado no bairro rural de Santo Ângelo onde residem 284 famílias de posseiros produtores de hortaliças. Isso permitiu a compreensão da organização atual do mercado (CEAGESP, CEAAP, CDR, supermercados e outros) com relação à atuação dos agentes econômicos e aos mecanismos de monopólio do capital sobre a produção deste tipo de propriedade. Partindo do pressuposto de que as pequenas unidades são frutos da contradição do modo de produção capitalista, sendo responsáveis por uma parte significativa da produção de alimentos frescos destinados aos grandes centros urbanos, chega-se à conclusão de que à subordinação aos mercados é a principal causa da ocorrência do processo de desintegração que este tipo de propriedade enfrenta. Apesar disso, os agricultores encontraram na organização política a maneira de permanecerem produzindo na localidade onde se encontram.

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Antonio José Pereira Filho

O princípio moderno de que só podemos conhecer aquilo que fazemos ( verum factum convertuntur) assume na obra de Vico um sentido peculiar. De início, aproximando-se e distanciando-se dos filósofos pós-cartesianos, Vico toma o princípio do verum-factum como eixo argumentativo para empreender uma revisão das teses cartesianas frente às críticas céticas. O resultado é a reivindicação de um espaço legítimo de conhecimento no qual o homem torna-se senhor dos seus próprios objetos. Na obra mais madura, porém, Vico toma este princípio como ponto de partida para se pensar uma ciência do mundo humano na sua dimensão própria - a história. É impossível não reconhecer o tom prometeico desta conversão. Porém, diferentemente de outros filósofos modernos, Vico não se vale do princípio do verum-factum como critério de planificação do mundo histórico- civil. Aqui topamos com a outra ponta do fio da idéia viquiana da história: a noção de "providencia". Como conciliar as duas afirmações? Se a história é fruto de Deus e não dos homens, com que direito pode-se almejar conhecê-la, uma vez que só se pode conhecer aquilo que se faz? Trata-se de uma contradição flagrante ou um sinal de prudência? Devemos concluir que Vico, a fim de salvar o conhecimento histórico, cai numa visão mistificadora, na qual o filósofo que reflete sobre a história, identificando-se plenamente com a mente divina torna-se uma espécie de Deus, sendo capaz de abarcar a história na sua totalidade e,   ao mesmo tempo, fazer prognóstico sobre nossa condição futura? Qual o significado do termo "providência" em Vico e em que sentido os "homens fazem a história"? Tem sentido considerar Vico um "filósofo da história" no sentido moderno do termo? O que dizer da separação da história "sagrada" e "profana" efetuada pelo autor? Teria Vico dado um passo atrás em relação ao processo de laicização moderno? ) Ou, ao contrário, ele antecipou criticamente as dicotomias deste processo? A fim de responder estas questões, veremos que na verdade as ambivalências de Vico fazem parte de uma estratégia argumentativa que parece encarnar o primeiro movimento em que a modernidade revê seus próprios pressupostos, realiza uma autocrítica, sem contudo abrir mão de uma idéia de humanidade e de razão. Nossa leitura terá como pano de fundo o contexto filosófico da tradição renascentista da qual Vico é considerado o herdeiro tardio, e as discussões em torno da fundamentação do saber na passagem do século xvii para o século xviii. É entre estes dois momentos que Vico tenta imprimir sem sucesso suas idéias, que não por acaso só frutificariam muito tempo depois.

 


 

Antonio Jose Pereira Filho

Pretende-se mostrar, neste trabalho, como as relações entre linguagem e práxis formam o núcleo do projeto filosófico de Giambattista Vico. Trata-se de um projeto complexo e que se realiza em diferentes momentos a partir de um confronto com a concepção mentalista da linguagem. Vico identifica no método de Descartes e no logicismo de Port-Royal, no assim chamado cartesianismo lingüístico, uma concepção extremamente redutora que põe em segundo plano a dimensão social e expressiva dos fenômenos da linguagem. Nosso objetivo é reconstituir os principais momentos do projeto de Vico (o que faremos através de uma leitura das primeiras obras do filósofo) e como ele se configura na Ciência Nova, sobretudo na sua última edição (de 1744). Com isso, pretende-se mostrar o que há de novo na perspectiva de Vico frente à tradição filosófica da qual ele procura se destacar e, assim, indicar o lugar preciso ocupado pelo filósofo italiano no que concerne aos estudos da linguagem. Nesse sentido, gostaríamos de defender aqui a tese de que o núcleo do projeto de Giambattista Vico consiste no novo tipo de relação que o filósofo estabelece entre os desdobramentos lingüísticos, as modificações (modificazioni) da mente e das instituições humanas. Veremos que a inteligibilidade desse processo passa pela elaboração de um novo método ou nova arte crítica que, levando em conta uma concepção da linguagem mais complexa que a do cartesianismo lingüístico, torna visível como o mundo das instituições humanas foi construído, como ele se desenvolve e como ele opera ao longo do tempo.

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Antonio Jose Pereira Filho

Pretende-se mostrar, neste trabalho, como as relações entre linguagem e práxis formam o núcleo do projeto filosófico de Giambattista Vico. Trata-se de um projeto complexo e que se realiza em diferentes momentos a partir de um confronto com a concepção mentalista da linguagem. Vico identifica no método de Descartes e no logicismo de Port-Royal, no assim chamado cartesianismo lingüístico, uma concepção extremamente redutora que põe em segundo plano a dimensão social e expressiva dos fenômenos da linguagem. Nosso objetivo é reconstituir os principais momentos do projeto de Vico (o que faremos através de uma leitura das primeiras obras do filósofo) e como ele se configura na Ciência Nova, sobretudo na sua última edição (de 1744). Com isso, pretende-se mostrar o que há de novo na perspectiva de Vico frente à tradição filosófica da qual ele procura se destacar e, assim, indicar o lugar preciso ocupado pelo filósofo italiano no que concerne aos estudos da linguagem. Nesse sentido, gostaríamos de defender aqui a tese de que o núcleo do projeto de Giambattista Vico consiste no novo tipo de relação que o filósofo estabelece entre os desdobramentos lingüísticos, as modificações (modificazioni) da mente e das instituições humanas. Veremos que a inteligibilidade desse processo passa pela elaboração de um novo método ou nova arte crítica que, levando em conta uma concepção da linguagem mais complexa que a do cartesianismo lingüístico, torna visível como o mundo das instituições humanas foi construído, como ele se desenvolve e como ele opera ao longo do tempo.

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Antonio Sergio da Costa Nunes

Este trabalho é resultado da pesquisa desenvolvida sobre a concepção do certum em Giambattista Vico. O nosso interesse foi encontrar nos diversos escritos filosóficos de G. Vico (1668-1744) um novo modo de apreensão da concepção original do pensador acerca do Conhecimento e de que modo ele apreendeu e trabalhou essa visão de mundo, ao contrário da visão tradicional, que atribuiu valor lógico ao modo de conhecer mediante o verdadeiro e o falso. Vico concebeu o conhecimento tanto como ordem do certum quanto como ordem do verum, realçando o papel originário do certum. Esse novo modo de perceber a ordem do certum confere ao saber viquiano uma lógica própria: a lógica do verossímil. A verossimilhança é trabalhada enquanto elemento que nos leva à certeza mediante a exclusão de toda exatidão matemática conferida ao conhecimento, nos propiciando a possibilidade de alcançá-lo na sua incerta abrangência e/ou nos seus incertos limites.

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Aparecido Francisco Bertochi

Esta pesquisa objetiva resgatar a formação teórica e política do comunista de esquerda Nikolai Ivanovitch Bukhárin, por meio da análise de suas obras, como da consulta às  obras de Lenin, de historiadores e de comentadores, visando a compreensão do processo  de transicão direta ao comunismo na URSS, entre 1918-1921. Por meio de sua profícua  produção política Bukhárin foi um dos teóricos bolcheviques que mais contribuiu, entre    1912 até 1921, ao lado de Lenin, para o aprofundamento das questões do imperialismo,  do Estado e da transiçãoparticularmente, da soviética, no interior das correntes  marxistas contemporâneas. Foi a partir da elaboração de sua teoria sobre o im e, posteriormente, também da de Lenin, que se formaram, nas correntes marxistas  contemporâneas, as concepções atuais que embasam a compreensão teórica do  imperialismo e da globalização. Autor de teses originais e muito polêmicas, Bukhárin  foi durante boa parte de sua vida membro e um dos líderes do grupo dos comunistas de  esquerda, e esteve em frontal oposição às propostas e idéias de Lenin, em diversas  circunstâncias. Porém, isso nunca foi motivo suficiente para provocar uma ruptura  efetiva entre ambos. Mas, ao contrário, estes debates contribuíram muito para o  amadurecimento do pensamento teórico destes dois importantes formuladores da  primeira tentativa concreta de transição ao socialismo, buscada durante a constituição  da URSS.    Palavras chave: revolução – comunismo de guerra - Estado - socialismo - transição. 

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Arnor da Silva Ribeiro

A trajetória de Silvino Jacques e o contexto histórico do qual fez parte são a razão deste estudo. De proscrito da Fronteira Oeste no Estado do Rio Grande do Sul, onde começa a agir como proscrito, à sua atuação na Fronteira Oeste na parte Sul de Mato Grosso, Jacques, elimando em 1939, incorporou mundos controversos nos quais se inserem sua conduta legalista no combate ao movimento constitucionalista e suas práticas fora dos parâmetros legais do Estado Nacional. A abordagem considera aspectos fundiários, coronelismo, campesinato e suas vertentes políticas, social e econômica, à época em que o governo federal visava centralizar a violência no combate a bandidos, bandoleiros e revolucionários. O período estudado, 1929-1939, corresponde a um Brasil que caminhava entre os mundos pré-capitalista e capitalista, com adequações e alterações, num ambiente que até então se caracterizava por fragilidade das instituições e pelo mandonismo dos chefes paroquiais. Postulados teóricos relacionados ao conceito de bandido social, criado por Eric J. Hobsbawn, são analisados de acordo com o posicionamento de pesquisadores que fizeram inserção crítica na formulação daquele historiador britânico. Neste trabalho, enfocamos as rebeldidas pré-organização política que se configuram como os primeiros movimentos de contestação do poder estabelecido a serviço de interesses hegemônicos. Fizemos análise diferencial do comportamento considerado banditista na Fronteira Oeste em relação a outras partes do país, o cangaço no Sertão nordestino, por exemplo. Ressaltamos os propósitos do cangaço no Nordeste brasileiro em comparação com o banditismo na Fronteira Oeste.

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Bernadete Caprióglio de Castro Oliveira

As pesquisas sobre as sociedades agrárias têm caracterizado os grupos camponeses dentro das relações capitalistas no campo brasileiro, ressaltando entretanto, os valores de um modo de vida diverso, que responde de forma diferenciada às mudanças impostas pela economia de mercado. Essas formas se manifestam em várias esferas da vida desses grupos camponeses, reconstruindo relações dentro de novos códigos, linguagem e representações. A própria constituição da família e do trabalho familiar remetem à interpretações que propõem uma outra dimensão do tempo e espaço. Pensar a persistência não no sentido de manutenção, mas de recriação, o que pressupõe sempre a incorporação de algo novo, parece estimulante para a investigação antropológica, que no caso estudado, se trata especificamente da recriação do sítio camponês. Condição essa, gestada no interior de um processo de expropriação em massa de arrendatários do noroeste paulista, onde não só se encontrava a atuação política do Partido Comunista Brasileiro, mas também, o movimento sócio-religioso do "Aparecidão", cuja "visão profética" antevia a possibilidade da "recriação de uma geração melhor", neste "Reino de Deus, que é essa terra mesmo".

 


 

Bruno Costa Simões

O objetivo desta pesquisa acerca da filosofia de Thomas Hobbes é retomar a sua descrição das faculdades da natureza humana apresentada nas seguintes obras: The Elements of Law Natural and Politic (1640), Troisièmes Objetions et Réponses - integrada por René Descartes às Méditations (1641) - Leviatã (1651), De Corpore (1655) e De Homine (1658). Por meio desse direcionamento bibliográfico, que serve de eixo da nossa exposição, a pesquisa pretende abordar os pressupostos científicos formulados pelo autor, segundo o método resolutivo-compositivo, o qual permite circunscrever as faculdades cognitivas (ou racionais) e motoras (ou passionais), demonstrando assim a noção de natureza humana. Por fim, a partir da reconstituição desses elementos, apresentaremos alguns desdobramentos morais, acarretados pela hipótese teórica de Hobbes que assume o movimento como princípio explicativo do funcionamento das faculdades do homem, inserindo-os desse modo num sistema mecânico que segue a ordem da relação física de choques entre os corpos, realizada no mundo natural