Alexandre Marcelo Bueno

Este trabalho tem por objetivo analisar o fenômeno da intolerância lingüística na relação entre, sociedade e Estado brasileiros, e imigrantes. Nosso corpus consiste em leis e textos do período compreendido entre 1875 1945. Dessa forma, examinamos decretos e leis que organizaram o processo imigratório os quais trataram da naturalização de estrangeiros. Analisamos três textos de autores representativos da sociedade na Monarquia, na Primeira República e na Era Vargas (Menezes e Souza, Silvio Romero e Oliveira Viana, respectivamente). Depoimentos de imigrantes e uma autobiografia foram também analisados para apresentar a perspectiva daqueles que sofreram a intolerância. Para realização dessas análises, utilizamos como referencial teórico a semiótica discursiva de linha francesa.


 

Alfredo Oscar Salum

O presente trabalho analisa a trajetória da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Sport Clube Corinthians Paulista entre 1910-1942. Esse período engloba as disputas internas, os conflitos e negociações para serem aceitos nos campeonatos oficiais e o processo de nacionalização durante o Estado Novo.

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Ana Luiza de Lima Coimbra

Este trabalho pretendeu acompanhar alguns ângulos dos Estudos Brasileiros nos EUA, com o objetivo de explicar porque os estudantes universitários estadunidenses, para uma experiência em educação internacional, preferem outros países da América Latina. Entrevistas iniciais com professores norte-americanos, no Brasil e nos EUA, e mais tarde com estudantes, apontavam para a língua portuguesa como o principal obstáculo, pela pouca penetração e reduzida perspectiva profissional, em oposição ao espanhol, língua irmã, que dimensionava o oposto. Por acreditar que um país não se restringe à sua língua, buscou-se outras razões que levassem ao entendimento de um processo histórico mais amplo. Dos olhares e relatos descompromissados, porém etnocêntricos, dos viajantes norte-americanos do século XIX, aos brasilianistas que até o presente ensinam Estudos Brasileiros nos EUA, procurou-se elementos que pudessem explicar o atual estado de coisas. Nesta pesquisa encontramos um cenário interno de relações desequilibradas, entre os professores de língua portuguesa e os de Estudos Brasileiros. Esta constatação, por um lado, confirmava ser a língua portuguesa o fator determinante da pequena visibilidade de nosso país nos EUA. Os motivos, porém, mostravam-se mais amplos, ligados a financiamentos e questões políticas de segurança nacional norte-americana. Por outro, foi possível constatar que os Estudos Brasileiros, ocupando posição privilegiada em relação à língua, também desempenham um papel neste cenário. O conjunto documental utilizado, tanto as entrevistas como a historiografia, levaram a uma abertura para reflexões sobre a pouca visibilidade dos Estudos Brasileiros nos EUA.

 


 

Ana Maria Dietrich

O partido nazista no Brasil (1928-1938) estava inserido em uma rede de filiais deste partido instaladas em 83 países do mundo e comandadas pela Organização do Partido Nazista no Exterior, cuja sede era em Berlim. O grupo instalado no Brasil teve a maior célula fora da Alemanha com 2900 integrantes sendo estruturado de acordo com regras e diretrizes do modelo organizacional do III Reich. A realidade brasileira interveio nesse processo causando o que chamamos de tropicalização do nazismo. A história do desenvolvimento da ação do partido no Brasil será analisada nos 17 estados brasileiros onde estava presente, tendo como contexto histórico a complexidade das relações Brasil e Alemanha durante o período da Era Vargas, a relação com o integralismo e eventuais conflitos raciais com a população brasileira e com judeus imigrados. Ênfase será dada ao papel do chefe do partido nazista no Brasil, Hans Henning von Cossel, considerado como Führer tupiniquim, tendo como fonte entrevistas com seus familiares. Contém extenso material iconográfico de documentos de época.

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Ana Maria Morales Crespo

No período entre 1975-85, setores da sociedade, como trabalhadores, mulheres, negros e homossexuais se mobilizaram por direitos e contra a discriminação. (GOHN, 2003, p. 113-125). Na mesma época, as pessoas com deficiência, até então invisíveis, também se organizaram num movimento nacional para reivindicar não apenas direitos, mas, também, reconhecimento de existência. Sob a perspectiva teórica da História Oral, o objetivo deste projeto é desvelar as estratégias, os anseios, as dificuldades, as conquistas, e as perspectivas de futuro desse movimento. A História Oral se preocupa e tem compromisso social marcado pela voz dos excluídos e tem como fundamento reconhecer a cidadania de grupos oprimidos" e " instrumentar as lutas por direitos humanos na democracia". (MEIHY, 2005, p. 238) Assim, o emprego dos preceitos da História Oral, neste projeto, visa dar voz a quem nunca antes falou por si mesmo e reconhecer as pessoas com deficiência como sujeitos de sua própria história e não como objetos de estudo. A comunidade de destino estudada é a condição da deficiência e o que ela significa numa sociedade que desconhece os direitos das pessoas deficientes. A colônia entrevistada, formada por líderes do movimento, divide-se em duas redes: participantes de organizações de pessoas deficientes e participantes de organizações prestadoras de serviço para essas pessoas. Ambos os grupos podem ter pessoas com ou sem deficiência. A história oral de vida reúne experiências subjetivas a contextos sociais e, desse modo, presta-se de modo singular à análise e à interpretação, pois, possibilita compreender a parte histórica dos fenômenos individuais e a porção individual dos fenômenos históricos. A análise será feita a partir do conjunto das entrevistas. É do diálogo entre elas que os significados emergirão. A importância acadêmica deste trabalho é contribuir para o empoderamento das pessoas deficientes e cooperar para que as próximas gerações de cidadãos brasileiros, com ou sem deficiência, estejam mais bem equipadas para perseverar na construção de uma sociedade inclusiva.

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André Castanheira Gattaz

A tese narra os 120 anos de imigração libanesa para o Brasil, desde as duas últimas décadas do século XIX ao final do século XX. Consideram-se inicialmente os motivos de expulsão que fizeram com que os libaneses abandonassem sua terra natal e se dirigissem à América. Nota-se a existência de quatro fases no processo imigratório libanês, cada uma das quais caracterizada por determinadas motivações econômicas, sociais e políticas, e por afetar distintos grupos regionais e religiosos. Nesse sentido, verificou-se que enquanto os cristãos perfaziam quase a totalidade dos imigrantes das duas primeiras fases (1880-1920 e 1921-1940), os muçulmanos passaram a imigrar com maior intensidade após os anos 1950, tornando-se importante componente do grupo imigratório libanês chegado na terceira e quarta fases (1941-1970 e 1971-2000). Quanto aos motivos que determinaram a expulsão desses imigrantes ao longo do período estudado, nota-se a predominância do fator econômico - afetando tanto a população das pequenas cidades, dependente da atividade agrária em uma terra escassa e pouco fértil, como setores da pequena burguesia urbana, colocados diante da falta de perspectivas de crescimento econômico e social. Além desses aspectos, desempenharam importante papel na emigração de libaneses os fatores políticos, tais como a oposição ao domínio turco-otomano (até 1920) e posteriormente francês (até 1943), os conflitos sectários que explodiram após os anos 1950 e a Guerra do Líbano de 1975 a 1990. Complementando o quadro dos fatores motivadores da imigração, encontram-se o acompanhamento dos familiares (para as mulheres e crianças), o desejo de obtenção de nacionalidade estrangeira e, no caso específico da imigração para o Brasil, o próprio sucesso econômico e social dos imigrantes pioneiros, servindo como estímulo ao movimento imigratório ao desencadear o efeito corrente entre a população das vilas e cidades libanesas. Além do estudo dos motivos que provocaram a emigração de libaneses, discutem-se nesta tese aspectos de sua integração à sociedade nacional e da reformulação de suas identidades. Vê-se que os libaneses procuraram trilhar um caminho de melhoria econômica calcado na atividade comercial, porém critica-se a noção de uma fácil ascensão social, notando-se que nem todos os imigrantes tiveram o percurso vitorioso dos pioneiros, que de mascates tornaram-se industriais. Notou-se ainda que, enquanto nas primeiras fases os benefícios advindos do comércio eram aplicados na educação dos filhos, após os anos 1950 muitos imigrantes passaram a ter preocupação com a própria formação educacional, procurando conciliar a atividade comercial à educação universitária, pois notaram que não eram mais possíveis as trajetórias sociais ascendentes baseadas apenas no comércio. Analisa-se ainda o papel da família, dos clubes da colônia e das entidades religiosas para a manutenção da identidade étnica e religiosa dos imigrantes libaneses, atuando em  sentido contrário à plena integração à sociedade nacional. Foi dada atenção especial à relação entre os grupos muçulmanos e cristãos, e aos aspectos da vida muçulmana no Brasil, uma vez que os demais historiadores da imigração libanesa praticamente ativeram-se aos imigrantes cristãos da primeira metade do século XX. Por fim, discutem-se as representações que os libaneses elaboram sobre a Guerra do Líbano, revelando dissensões entre os grupos religiosos e regionais que dificultam a pacífica convivência entre os imigrantes.

 


 

André Luzzi de Campos

Trata-se de investigação histórica sobre as lutas contra à fome e à miséria em São Paulo na região leste da cidade. O trabalho busca estabelecer uma relação entre a produção de Josué de Castro sobre a questão da fome e o trabalho desenvolvido pela Ação da Cidadania, tendo como seu principal articulador o sociólogo Hebert de Souza, o Betinho. Procura, ainda, analisar de forma retrospectiva os papéis desempenhados pelos diferentes agentes históricos no período de 1993 a 2006, que compreende o processo de consolidação democrática no Brasil, marcado pela ampla mobilização social contra à fome e à miséria, ao momento hodierno com a implantação de políticas públicas voltadas à promoção do direito humano à alimentação e promulgação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional.

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André Nogueira Xavier

Este trabalho objetivou dar um primeiro passo em direção a uma descrição das unidades do nível fonético-fonológico da língua de sinais brasileira (libras). Para isso, ele se baseou no modelo de análise sublexical proposto por Liddell (1984) e desenvolvido por Liddell & Johnson (2000 [1989]), segundo o qual, os sinais das línguas sinalizadas, semelhantemente às palavras das línguas faladas, são consituídos por segmentos. Além de oferecer uma análise segmental dos sinais, capaz de capturar os contrastes seqüenciais também possíveis nessas línguas, esse modelo apresenta uma descrição bastante detalhada dos traços que caracterizam cada um de seus segmentos. Por conta disso, neste trabalho, foi possível não apenas levantar alguns traços articulatórios que têm valor distintivo na fonologia da libras, mas também esboçar uma análise segmental para alguns de seus itens lexicais.

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André Oliva Teixeira Mendes

Deste o séc. XIX os arquivos vêm se consolidando, pelo menos no imaginário popular, como verdadeiros celeiros da história. No entanto, cabe ao pesquisador munir-se de um repertório cada vez mais eficiente para lidar com esses acervos, especialmente no que diz respeito ao caráter de representação (sob a perspectiva de Henri Lefebvre) expresso tanto em sua constituição quanto na disponibilização do material a ser utilizado pelo público pesquisador. Assim, a intenção desse trabalho é mostrar como o Arquivo Público de São Paulo responsabilizou-se por estabelecer uma determinada imagem do passado paulista especialmente por meio de uma de suas publicações: os Documentos interessantes para a história e costumes de São Paulo. Criado como um órgão ligado diretamente à administração pública, a Repartição de Estatística e Arquivo (1892) incumbiu-se de recolher, selecionar, transcrever e disponibilizar um repertório significativo de documentos acerca do passado administrativo de São Paulo, vinculando-se com outras instituições, como o IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo) e o Museu Paulista, responsáveis por construir uma representação elitista do pioneirismo bandeirante, fosse por meio das análises documentais realizadas, fosse pelo estabelecimento de critérios para a seleção e descarte de documentos de seu acervo. Assim, essa dissertação quer demonstrar como a Repartição de Arquivo em seu vínculo com as instituições citadas acima, atuou, através de sua coleção Documentos Interessantes, como agente efetivo na construção de uma representação conservadora sobre a formação de São Paulo, levando à elaboração de uma representação da própria Repartição e de seu papel diante da sociedade civil.

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Andréa Baltazar

Esta tese de doutorado objetiva compreender as relações culturais que se estabelecem entre a cultura camponesa de uma comunidade do alto pantanal de Mato Grosso (Porto Brandão - 130 km a sul de Cuiabá) e a cultura urbano-industrial moderna pela assistência de televisão. Apresenta os resultados de análise a partir de duas abordagens diferenciadas, a primeira com base no estudo de cultura material e da organização espacial camponesa em que tem lugar a televisão dentro na cultura local; e a segunda, a partir de uma abordagem convencional dos estudos de audiência, ampliada e recriada pela prática e teoria antropológicas de pesquisa. Esta última enfoca o tempo da televisão dentro da cultura camponesa local em relação aos outros tempos da mesma cultura. O eixo de análise é fundamentado a partir da constatação da saliência que as questões relativas ao campo da família e do parentesco apresentam nos diversos domínios da sociedade brasileira e que se reproduzem tanto na construção básica das tramas das telenovelas brasileiras, quanto se constata na organização e ressignificação que desta faz a cultura local, por sua vez, alicerçada em suas próprias noções ligadas também às regras do parentesco, e a partir de sua realidade mágico-religiosa do exercício de crenças e rituais católicos camponeses. O objetivo central do trabalho é mostrar a imagem que de si fazem os camponeses estudados a partir do jogo dialético de semelhanças e diferenças que emergem da relação com o  outro e suas concepções de mundo, personagens fictícios ou atores de algumas telenovelas rurais brasileiras