Teses e Dissertações do Grupo de Pesquisa Psicanálise, Teoria Política e Psicologia Social

Menor: um problema para sociedade disciplinar

Karina de Oliveira Lima

A presente pesquisa investigou sobre e emergência do menor no período de 1889-1927. Utilizou-se como métodos de pesquisa a revisão bibliográfica sobre o tema e a pesquisa de fontes primárias. As ideias de Foucault sobre sociedade disciplinar, poder, saber governamentalidade, arqueologia e genealogia permitiram a análise dos autos encontrados sobre o menor evidenciando-se relações de poder e o processo de sujeição do menor pelo trabalho e pela educação. Constatamos, assim, como já apontado por autores estudiosos do tema que o trabalho e a educação constituíram-se elementos centrais nas políticas públicas dirigidas para o menor desde o período estudado até os dias de hoje.

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Órfãos de pais vivos: uma análise da política pública de abrigamento no Brasil

Mathias Glens

O objetivo desta dissertação é analisar o desenvolvimento da política pública de acolhimento institucional no Brasil atual. Para isso, inicialmente, apresenta-se um breve histórico das políticas dirigidas à infância e juventude em situação de vulnerabilidade, tendo como foco a questão da internação de crianças e adolescentes. Em seguida, abordam-se as mudanças trazidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) referentes às ações e aos projetos de atendimento dirigidos a esse público. Por fim, por meio da análise de três grandes pesquisas quantitativas a respeito do tema, propõe-se um exercício de comparação entre o que está determinado em lei e nos documentos oficiais de orientação e normatização da política pública e a realidade concreta das instituições de abrigamento, tal como apontada pelas referidas pesquisas.

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A instituição para o sujeito: metapsicologia da prática psicanalítica na instituição

Paulo Keishi Ichimura Kohara

O presente trabalho tem por objetivo problematizar as relações entre psicólogo, paciente e situação institucional nos atendimentos de base psicanalítica realizados no interior de instituições heterogêneas à psicanálise. Nossa investigação parte das seguintes questões: a) como a dimensão institucional é apreendida pelo sujeito e como essa apreensão se reflete na situação analítica; b) como a relação analítica se insere num contexto institucional estranho e quais as conseqüências dessa inserção; c) quais os procedimentos técnicos possíveis para a prática do psicanalista nessas condições. Discutimos, então, quais as condições clínico-teóricas que ora possibilitam, ora não, o exercício da prática psicanalítica nas instituições. A partir de textos da metapsicologia investigamos quais as condições da transferência na instituição e seus desdobramentos tanto para o paciente quanto para o terapeuta e qual a influência das condições institucionais na dinâmica inconsciente instaurada entre terapeuta, paciente e situação analítica. Discutimos como a transferência se manifesta no interior das instituições, quais são os recursos que o psicanalista dispõe para trabalhar com essa dinâmica transferencial, como podemos diferenciar metapsicologicamente as instituições das organizações, como se constitui e se configura a dinâmica inconsciente entre o sujeito e as instituições sociais, como a psicanálise se caracteriza também como uma instituição nesses atendimentos. Por fim, nos propusemos a fazer um ensaio, com o auxílio de duas vinhetas clínicas, sobre como a investigação conceitual que realizamos poderia aparecer em casos singulares de atendimentos em instituições, oferecendo alternativas de compreensão para casos em que, de alguma forma, a condição institucional ofereceu resistência ao processo. Concluímos que o trabalho nas instituições exige do psicanalista uma disposição de analisar sua própria condição de pertencimento a elas, bem como a compreensão de que a cena transferencial não se localiza apenas no setting de atendimento. Como suporte transferencial, a instituição oferece também a uma possibilidade singular de elaboração das pulsões parciais, na medida em que pode ser depositária de uma unidade de uma potência que extrapolam as possibilidades das condições clássicas de enquadramento. Frente às limitações e alternativas, a identidade de uma prática psicanalítica nas instituições configura-se como uma atuação possível, porém desafiadora aos psicanalistas.

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Do além do princípio do prazer ao além do princípio do desempenho: ressonâncias da teoria das pulsões no pensamento de Marcuse

Polyana Stocco Muniz

O presente trabalho tem por objetivo problematizar a inserção da teoria das pulsões no pensamento de Herbert Marcuse, mais especificamente em sua obra publicada em 1955 sob o título Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. Aproximadamente três décadas antes a essa publicação de Marcuse, Freud publicou a obra que rearticulou como um todo o seu pensamento: o ensaio sobre a hipótese da Pulsão de Morte. Tal foi a sua repercussão, tanto clínica como cultural, que fez com que a psicanálise avançasse em temas como o masoquismo, a compulsão à repetição, a psicologia de massas e a destrutividade, chegando mesmo a problematizar o desenvolvimento cultural humano em sua possibilidade de garantir a vida comunal diante de uma pulsão para além do princípio de prazer. Não obstante, a recepção dessa conceituação provocou diversas revisões da psicanálise. Dentre as que aqui interessam, destacaram-se aquelas que foram atravessadas pelas questões relativas ao socialismo, já que questionaram a condição de imutabilidade da Pulsão de Morte. Contudo, as propostas desse Revisionismo Neofreudiano, que tentava articular marxismo e psicanálise, culminaram na extirpação da teoria das pulsões, dessexualizando a psicanálise. Ao criticar essa tendência popular, à época, a obra de Marcuse renovou o impasse: como inserir a metapsicologia, especialmente o conceito de Pulsão de Morte, no contexto das pesquisas do Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt, fundamentalmente marxista? O autor realocou a psicanálise no debate crítico sobre a cultura, renovando também outra questão que se vinculava à Pulsão de Morte: a relação entre dominação e progresso constituiria realmente o princípio da civilização? Sob esse contexto, a presente pesquisa articulou os seguintes pontos, a fim de esclarecer as ressonâncias da teoria das pulsões no pensamento de Marcuse: a) buscou-se esclarecer a crítica marcuseana às escolas culturalistas Neofreudianas; b) procurou-se compreender alguns pontos da conceituação sobre a Pulsão de Morte na obra de Freud; c) e, por fim, os desdobramentos dessa pulsão na obra Eros e civilização. Pode-se apontar que Marcuse centrou o debate sobre a cultura no conflito entre os princípios de prazer e realidade. Entretanto, o autor não negou a Pulsão de Morte em suas análises, mas a sua atividade numa realidade regida pelo princípio de desempenho, comparada com sua atividade regida por um mais além princípio de desempenho, já que, aliviada a tensão, pouco se expressaria. Problematizou-se a conclusão dessa obra, pois, não sendo a Pulsão de Morte somente alívio de tensão, ela insistiu na dinâmica da civilização como negação do indivíduo. A proposição de uma utopia foi questionada posteriormente pelo próprio autor e, assim, permaneceu seu posicionamento crítico, na medida em que compreendeu, nas próprias conceituações da psicanálise, a negação do existente, ou seja, a revelação da negação do indivíduo.

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