Teses e Dissertações do Grupo de Pesquisa Linguística e Intolerância

Intolerância Lingüística e Imigração

Alexandre Marcelo Bueno

Este trabalho tem por objetivo analisar o fenômeno da intolerância lingüística na relação entre, sociedade e Estado brasileiros, e imigrantes. Nosso corpus consiste em leis e textos do período compreendido entre 1875 1945. Dessa forma, examinamos decretos e leis que organizaram o processo imigratório os quais trataram da naturalização de estrangeiros. Analisamos três textos de autores representativos da sociedade na Monarquia, na Primeira República e na Era Vargas (Menezes e Souza, Silvio Romero e Oliveira Viana, respectivamente). Depoimentos de imigrantes e uma autobiografia foram também analisados para apresentar a perspectiva daqueles que sofreram a intolerância. Para realização dessas análises, utilizamos como referencial teórico a semiótica discursiva de linha francesa.

 

 


 

Descrição fonético-fonológica dos sinais da língua de sinais brasileira (LSB/libras)

André Nogueira Xavier

Este trabalho objetivou dar um primeiro passo em direção a uma descrição das unidades do nível fonético-fonológico da língua de sinais brasileira (libras). Para isso, ele se baseou no modelo de análise sublexical proposto por Liddell (1984) e desenvolvido por Liddell & Johnson (2000 [1989]), segundo o qual, os sinais das línguas sinalizadas, semelhantemente às palavras das línguas faladas, são consituídos por segmentos. Além de oferecer uma análise segmental dos sinais, capaz de capturar os contrastes seqüenciais também possíveis nessas línguas, esse modelo apresenta uma descrição bastante detalhada dos traços que caracterizam cada um de seus segmentos. Por conta disso, neste trabalho, foi possível não apenas levantar alguns traços articulatórios que têm valor distintivo na fonologia da libras, mas também esboçar uma análise segmental para alguns de seus itens lexicais.

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Os consultórios gramaticais: um estudo de preconceito e intolerância linguisticos.

Iara Lúcia Marcondes

Consultórios Gramaticais são textos metalingüísticos formados por perguntas e respostas sobre as regras prescritas pela gramática tradicional. Esse gênero discursivo, veiculado no início do século XX na mídia impressa, atualmente, é propagado também na internet, todavia, os consultórios gramaticais da internet, ao mudarem de suporte, não se modificaram suficientemente para serem considerados um novo gênero. Assim, podem ser classificados como um gênero tradicional com suporte digital. Esta dissertação tem como principal objetivo caracterizar os consultórios gramaticais como gênero discursivo, observar o discurso metalingüístico presente nos enunciados desse gênero e levantar as marcas de intolerância e preconceito lingüísticos nos enunciados dos consultórios gramaticais. Utilizamos como método de pesquisa a Análise do Discurso e como base teórica a Teoria da Enunciação e a Teoria dos Gêneros Textuais. Os principais autores referidos neste trabalho são: Maingueneau (2004); Authier-Revuz (1990) e Bakhtin (1992). O corpus para a pesquisa é composto por consultórios gramaticais impressos no início do século XX e por consultórios digitais, veiculados atualmente na internet. Os consultórios do início do século XX que foram analisados neste trabalho são de autoria de Candido de Figueiredo, Napoleão Mendes de Almeida e Mário Barreto. Já os sites com seções de consultas gramaticais que foram utilizados para a pesquisa são Sua Língua de Cláudio Moreno, Por Trás das Letras, de Hélio Consolaro e Gramática On Line de Dílson Catarino. Com a pesquisa, confirmou-se a hipótese de que as marcas de preconceito e intolerância lingüísticos é uma característica do gênero consultório gramatical.

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Marcas de intolerância no combate aos estrangeirismos: o caso dos galicismos na língua portuguesa

Maria Aparecida Cabañas

Esta dissertação é um estudo sobre os estrangeirismos, em especial os galicismos, e a reação purista que a aceitação e o uso desses termos causou a partir da segunda metade do século XIX. Neste trabalho descrevemos as marcas de intolerância lingüística presentes no discurso de Cândido de Figueiredo, gramático português que muito lutou para evitar a entrada de galicismos na língua portuguesa. Além disso, verificamos a concepção de estrangeirismo que vigorou nesse período e as principais causas da importação de palavras. Os resultados obtidos foram que, a importação de palavras é um fenômeno lingüístico importante na evolução das línguas; há marcas de intolerância lingüística na metalinguagem de Cândido de Figueiredo e que, apesar das severas críticas e do discurso intolerante, muitos dos galicismos rejeitados pelo gramático entrarampara a língua portuguesa e continuam em uso e em pleno vigor. Nessas condições, a elaboração desta pesquisa proporcionou a compreensão das causas da reação purista no combate aos galicismos.

 


 

Uma descrição da Dêixis de pessoa na língua de sinais brasileira: pronomes pessoais e verbos indicadores

Renata Lúcia Moreira

Esta dissertação apresenta uma proposta de descrição da dêixis de pessoa na língua de sinais brasileira. Nas línguas de sinais, a dêixis de pessoa é realizada substancialmente por meio de dois tipos de sinais de apontamento: os pronomes pessoais e os verbos indicadores. O objetivo de minha pesquisa é dar início à descrição desses dois tipos de sinais, tomando por base o trabalho de Liddell (2003), que analisa a dêixis de pessoa na língua de sinais americana, no âmbito da gramática cognitiva (Langacker, 1991) e da teoria de espaços mentais (Fauconnier, 1994 [1985]; Fauconnier & Turner, 1998). Segundo Liddell, tanto os pronomes pessoais quanto os verbos indicadores têm a propriedade de ser realizados e localizados no espaço físico em frente e ao redor do corpo do sinalizador e de apontar, dentro desse espaço, para um local que está associado, no discurso, a uma representação mental do(s) seu(s) referente(s). Para o autor, os sinais dêiticos são formados por duas partes: uma lingüística, que é invariável, e uma outra que é dêitica, ou seja, que varia conforme a situação discursiva. Para fazer a descrição dos pronomes pessoais e dos verbos indicadores da língua de sinais brasileira, analisei (i) dados levantados do dicionário de Capovilla & Raphael (2001); (ii) dados que foram eliciados de colaboradores surdos, e (iii) dados de língua em uso que foram obtidos por meio de uma narrativa infantil contada por uma surda. Com os estudos empíricos realizados e a construção e uma transcrição da narrativa, foi possível (i) descrever a maneira como os surdos usam o espaço de sinalização, para construir, representar e caracterizar as personagens da história (ou interlocutores) que são apontados pelos sinais dêiticos; (ii) levantar os pronomes pessoais e os verbos indicadores da língua de sinais brasileira, e (iii) descrever algumas de suas características formais e as características pragmáticas de seu apontamento (dêitico ou anafórico), tanto nos contextos eliciados como em uso, nos discursos diretos da narrativa.

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A segmentação da língua de sinais brasileira: um estudo lingüístico descritivo a partir da conversação espontânea entre surdos

Tarcísio de Arantes Leite

A presente tese consiste numa pesquisa de caráter lingüístico descritivo. O objetivo é o de oferecer critérios para a segmentação do discurso na língua de sinais brasileira (libras) em unidades gramaticais. Duas linhas teóricas contribuíram para este projeto de forma crucial: a análise da conversa de base etnometodológica e a gramática baseada no uso. A análise da conversa, ao observar o modo como os próprios participantes se orientam uns em relação aos outros na interação, revela uma visão dos recursos gramaticais como práticas sociais voltadas à realização e coordenação de ações sociais na conversação. A gramática baseada no uso, ao explorar as relações entre língua, cognição e interação, revela o importante papel da prosódia e da gestualidade para o estabelecimento da atenção conjunta na interação. Na constituição do corpus, díades formadas por surdos adultos fluentes em libras foram gravadas num estúdio, com iluminação e câmeras posicionadas de modo a captar o rosto e o espaço de sinalização dos falantes, além de ambos em perfil. Um trecho da gravação foi selecionado para ser transcrito e utilizado como ponto de referência principal da análise, que envolveu duas etapas distintas. Na primeira fase, é demonstrado que o princípio do um-de-cada-vez, uma manifestação da atenção conjunta no nível do discurso, também se mostra operante numa língua de modalidade gestual-visual como a libras. Na segunda fase, uma análise sobre a segmentação interna dos turnos de fala sinalizados é realizada por meio da combinação de uma abordagem com foco nas unidades entoacionais do discurso, e uma abordagem com foco em práticas estruturadas do discurso, tais como listas e contrastes. As principais contribuições que resultaram do trabalho foram: i) um repertório sistematizado de recursos manuais e não-manuais da libras que pode servir como ponto de referência inicial para a segmentação do discurso espontâneo em unidades gramaticais; e ii) uma abordagem para a segmentação do discurso que, em futuras investigações, poderá permitir um maior aprofundamento de nosso conhecimento acerca dos recursos prosódicos da libras.

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