Teses e Dissertações do Grupo de Pesquisa Filosofia e Direitos Humanos

Representação, linguagem e política em Rousseau

Taynam Santos Luz Bueno

O objetivo principal de nossa pesquisa é o exame da questão da representação no interior da obra política de Jean-Jaques Rousseau. Isso se fará sob três pontos distintos: Em um primeiro momento, buscaremos compreender a noção de representação no desenvolvimento das paixões, da história e das instituições. Guiados pela dicotomia existente entre ser e parecer, abarcaremos as principais características desta noção sob o ponto de vista do paradoxo entre realidade e aparência, elucidando sua significação, apontando sua gênese e compreendendo sua relação com os demais processos de expansão cultural do homem. Na segunda parte de nossa pesquisa, procuraremos compreender as relações existentes entre representação e linguagem, o efeito direto da representação na constituição das línguas, as diferenças entre a língua escrita e a língua falada e sua relação com o processo de corrupção humano. Buscaremos evidenciar o papel da linguagem no desenvolvimento moral do homem, bem como sua inseparabilidade do aprofundamento das paixões humanas e do desenvolvimento de suas instituições. Finalmente, nos aprofundaremos nas relações existentes entre representação e política propriamente dita, salientando o efeito nefasto que a representação possui neste âmbito. Nossas preocupações aqui limitam-se a compreender a denúncia feita por nosso autor à teatralização do poder, compreender o caráter de ilegitimidade da representação no interior do corpo político, a partir da doutrina do contrato social, sobretudo a concepção de vontade geral.

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A santidade do contrato e das leis: um estudo sobre religião e política em Rousseau

Thomaz Massadi Teixeira Kawauche

A posição de Rousseau sobre a importância da religião na sociedade é bastante peculiar: por um lado, ele apresenta severas críticas às religiões reveladas em geral e ao cristianismo em particular, apontando conseqüências nefastas da idéia de revelação - dentre as quais se destaca a intolerância - sobre a conduta dos indivíduos; por outro lado, Rousseau reconhece que a religião é útil e até mesmo necessária ao Estado, e não subestima o recurso aos deuses na obra do legislador; além disso, Rousseau se declara cristão, e não apenas afirma que o ensino de Jesus Cristo serve de fundamento à boa moral, como também chega a defender uma certa superioridade da revelação dos Evangelhos em relação às demais revelações escritas. Este estudo tem como objetivo esclarecer o estabelecimento da relação entre política e religião na obra de Rousseau a partir de um exame dos textos em que esse autor trata dos efeitos da religião na conduta dos homens, considerando-se em primeiro lugar a crítica feita pelo vigário saboiano às religiões instituídas e, em segundo lugar, a idéia de religião civil no contexto da filosofia política de Rousseau, com especial atenção para um de seus dogmas: o da santidade do contrato social e das leis.

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A física da política: Hobbes contra Aristóteles

Yara Adario Frateschi

Aristóteles e Hobbes fundamentam a moral e a política na natureza humana em bases independentes da associação política entre os homens. No entanto, ambos sustentam visões distintas acerca da natureza humana por conceberem de maneiras distintas a natureza em geral. Em particular, divergem radicalmente na caracterização do papel da razão. Derivam daí duas concepções opostas das relações entre a natureza e a sociedade política.

 


 

Opinião pública e obediência civil na filosofia de Hobbes

Yara Adario Frateschi

Esta dissertação trata da maneira como Hobbes expõe em sua filosofia política a importância da conformidade das opiniões dos súditos com a obediência civil. O primeiro capítulo incide sobre a relação entre as ações e as opiniões dos homens. Veremos de que modo as ações derivam das opiniões e por que a formação destas últimas é um aspecto fundamental da tarefa do soberano civil. Procuramos traçar, em primeiro lugar, os pontos comuns relativos à esta questão nas três obras políticas de Hobbes: no Elemento da Lei, no Do Cidadão e no Leviatã. Em seguida, mencionamos alguns aspectos que diferenciam o Leviatã das obras anteriores. O segundo capítulo versa sobre a crítica feita por Hobbes à dominação das opiniões dos súditos exercida pelo clero em um Estado cristão. Para isto nos ateremos às terceira e quarta partes do Leviatã. Veremos, em primeiro lugar, quais são as doutrinas do clero prejudiciais para a paz. Em segundo lugar, veremos como Hobbes as combate e quais são as soluções por ele apresentadas para evitar que o clero estabeleça o controle das opiniões dos súditos desviando-os da obediência civil. Finalmente, no terceiro capítulo procuramos mostrar que a popularização das questões políticas ocorridas ao longo da década de quarenta é um fator que deve ser levado em conta quando nos perguntamos sobre as razões de algumas diferenças operadas no Leviatã em relação às obras políticas anteriores. A intensa preocupação com a formação das opiniões dos súditos em geral, a  expectativa de ampliação da audiência e a aceitação e emprego da eloqüência - característicos do Leviatã - devem ser vistos à luz da efervescência política e intelectual ocorrida durante os anos que separam o Leviatã do Elementos da Lei e do Do Cidadão.