Artigos e Entrevista do Grupo de Pesquisa Psicanálise, Teoria Política e Psicologia Social

Mara Selaibe
Este texto partiu da comunicação feita por ocasião da comemoração de aniversário de 20 anos do Núcleo de Estudos de História Oral, da Universidade de São Paulo (NEHO/USP). Teve como referência o trabalho desenvolvido numa região de Moçambique, no período mais recente de seu pós guerra de independência, pelo Professor Dr. Boia Efraime Júnior e sua equipe, na ONG ARES – Associação Reconstruindo a Esperança. 
 
Essa organização associativa, entre outras atividades desenvolvidas, presta assistência por meio de projetos psico-sociais a ex-crianças soldados (foram computadas 30 mil excrianças soldados, entre 1975 e 1992). Nascida em 1996, ela deriva do trabalho realizado nos idos de 1994 na Associação Moçambicana de Saúde Pública.
Mara Selaibe

No segundo semestre do ano de 1929, Freud escreve O Mal-Estar na Civilização (Das Unbehagenin der Kultur), publicado em 29 de outubro próximo. No prazo de um ano a tiragem de 12.000 exemplares se esgota. Em 1931 o editor publica a segunda edição. A tradução para o inglês é lançada em Londres em 1930 (Civilization and Its Discontents). Como um livro de Freud, no início do século XX, passada a Primeira Guerra Mundial, pode ter alcançado tantos leitores interessados? O título surge justamente no período da Grande Depressão econômica, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York; um tempo conturbado e pleno de ameaças no campo da política européia – as quais vieram a se confirmar na década seguinte fora de qualquer parâmetro jamais imaginado: de Hitler a Hiroshima, dos desdobramentos da Revolução Russa ao stalinismo na União Soviética. E seu pensamento radicalmente analítico, reunido nesse ensaio, dá ao mundo ocidental muito que pensar.

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Mara Selaibe

O artigo descreve, do ponto de vista psicanalítico, os trâmites da formação da sexualidade no adulto e busca evidenciar que elas são sempre singulares. Por mais que impliquem em arranjos extravagantes isso não impele as formas da psicossexualidade inelutavelmente ao campo das perversões; este infringe especificidades éticas e legais que o inscrevem como transgressão, como crime a ser juridicamente punido. Para enfrentar essa discussão, a autora parte da questão da sexualidade infantil e da formação/ discriminação entre o eu e o não-eu, tomando como ponto de partida o narcisismo primário. A abordagem discute, ao longo do texto, a questão da tolerância e da intolerância no trato da sexualidade tendo em conta a convivência e a cidadania.

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Mara Selaibe

Freud, em textos teóricos e metapsicológicos - clássicos da psicanálise - escreveu as bases da constituição do psiquismo e a partir delas podemos dissertar a respeito das raízes irracionais da intolerância. O árduo estabelecimento da discriminação entre eu e não-eu implica um longo trabalho para ultrapassar, sempre apenas em certo grau e com considerável esforço ininterrupto, o tipo de natureza paranóica de nosso narcisismo básico e fundante a fim de complexizar em direção ao reconhecimento e a aceitação – e inclusive a admiração – por aquilo que nos é estranho, que nos é outro ou apenas díspar. Tornamo-nos únicos e humanos pela via dupla da identificação e da diferenciação/separação. Tal paradoxo permanece sempre e recrudesce a cada situação de perseguição, de impedimento da afirmação da diversidade, de ataque físico e psíquico à alteridade visando imobilizá-la e neutralizá-la. A violência contra um outro humano se impõe totalitária e faz valer a partir dela a homogeneização, o extermínio da diferença. Os psicanalistas, trabalhando com pessoas, grupos e instituições – e se utilizando de método específico – têm a chance de acessar tais manifestações inclusive e especialmente em micro movimentos intrapsíquicos e intersubjetivos.

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Mara Selaibe

Em um relatório de 1951, especialistas em saúde mental da Organização Mundial de Saúde reconheceram os cuidados com a infância e com a adolescência como fundamentais na constituição sadia da vida psíquica do adulto. Tentaram chamar a atenção de médicos, juristas e políticos para a necessidade de cada sociedade garantir aos pais a possibilidade de atender seus bebês e crianças gozando de condições para tal. Mais do que enumerar as exigências materiais a favor do bem-estar físico, esse relatório é notável por ter sublinhado a importância em se promover a saúde mental já a partir da gestação. Passados 58 anos desde essa declaração oficial da OMS, não há no Brasil, nem sequer em São Paulo, programas governamentais em número e qualidade suficientes voltados para a atenção primária à saúde psíquica. Essa tarefa permanece, prioritariamente, a cargo de cada família a depender de sua estrutura interna e suas posses.

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Mara Selaibe

Neste texto o binômio intolerância/tolerância é abordado a partir de conceitos freudianos: o narcisismo, a pulsão de morte e o amor ao objeto focado no enlace libidinal, especialmente na identificação. A economia libidinal também é considerada à luz de trechos de entrevistas com participantes de um trabalho de inclusão social – o que contribui para algumas reflexões sobre políticas de tolerância.

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Mara Selaibe

Este texto introduz idéias de como – no bojo da vivência traumática – o sujeito fica acossado na posição de vítima passiva. Em seguida, discute as condições da narrativa em promover uma mudança do lugar de vítima para a posição de testemunha sob a condição de que alguém legitime, com sua escuta isenta, o testemunho em questão. Com alguns exemplos, a autora aborda a importância da fala dirigida à alteridade na promoção e na elaboração das experiências violentas.

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Mara Selaibe

Neste texto o binômio intolerância/ tolerância é abordado pela via da psicanálise. A autora nomeia as forças psíquicas que habitam a todos nós e a partir do entendimento da natureza e da dinâmica dessas forças – denominadas pulsões (Trieb) – são apresentadas as raízes da intolerância. Também é apresentada e discutida a tensão existente entre a natureza humana pulsional (que busca satisfação imediata) e o processo civilizatório (regulador e mediador dessa busca).

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